O futuro papel de Roberto Cavalcanti

Das entrevistas editadas nas últimas horas e/ou dias sobre a conjuntura política da Paraíba, a do senador Roberto Cavalcanti Ribeiro, também diretor presidente do Sistema Correio, está entre as mais enigmáticas porque sinaliza concretamente a exposição de quem quer se manter na cena principal de 2010, ou seja, está longe de sair da disputa majoritária mesmo com fragilidade eleitoral admitida.

Com a habilidade de quem sabe mexer com as palavras e decisões, Roberto foi sincero consigo ao criticar ou elogiar mansamente as lideranças políticas mais fortes da cena atual, a exemplo do governador José Maranhão, o prefeito Ricardo Coutinho (João Pessoa) e o senador Cícero Lucena – os três nomes da atual disputa.

Outro foco distinto levantado pelo senador diz respeito ao cenário de projetos e ações empreendedoras em favor da Paraiba porque, com justa razão, censurou nossa elite política de estar sempre boicotando a si gerando atrasos na construção de novos meios que resultem em desenvolvimento social.

Por incrível que pareça, Roberto reproduz dois personagens num só: é poderoso pelo conjunto construído empresarialmente, sobretudo, nos meios de comunicação, tanto que foi fundamental para a ascensão do atual governador Maranhão no Governo – vide processos na Justiça Eleitoral e cassação de Cássio, entretanto, sofre de fragilidade eleitoral por não nunca ter disputado nenhum cargo na Paraíba posto que a condição de suplente não aufere ao eleitor alcançá-lo para distingui-lo.

Além do mais, no exercício do mandato é um senador presente e propositivo.

Só que Roberto tem contencioso a incomodar pelo possível índice de rejeição em setores da sociedade fruto de processos na Justiça – vários deles superados -, mesmo assim nada arrefece seu ânimo para se manter no contexto da disputa de 2010 ainda sem saber se vai para a reeleição ou batalhará para ser Vice – governador.

Em ambas as situações, sobretudo a do Senado, as condições não são sistemáticas porque existem outros personagens em curso, além do mais há naturezas diferenciadas a merecer trato especial, porque com Ricardo Coutinho está, por exemplo, Cássio Cunha Lima – seu mais distinto competidor e adversário pessoal na disputa de 2010, especialmente se ele for disputar o Senado – e isso impede acertos mais ousados.

Da parte de Maranhão, a vice hoje é ocupada pelo petista Luciano Cartaxo – este tentando se manter no posto ainda dependendo do que o PT so decidirá mais na frente, se quer defender a reeleição de Luciano ou se parte para disputar o Senado – neste ultimo caso ainda sem saber quem será porque Luiz Couto está fora da prioridade dos que venceram o PED petista.

O fato é que Roberto é poderoso mas não encontra guarida fácil para ter o apoio amplo, geral e irrestrito do governador Maranhão e dos demais parceiros partidários porque, de fato, não é fácil construir tal condição já agora.

Por isso ele (Roberto) joga com o PRB na perspectiva de estar na melhor condição a favorecer o senador sabendo ele que nada será fácil, mas para quem tem as ferramentas construídas certamente não entregara os pontos sem grande recompensa política.

Nesse particular, Roberto é PhD e ate mais na frente saberá se posicionar para manter o ‘status quo’ conquistado depois de muitas lutas e adversidades.

É aguardar para ver e crer, como diz São Tomé.

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