SALVADOR – Logo cedo da manhã, tomo um susto: ligação de João Pessoa. Felizmente trata-se de pessoa de bom humor, de hábito saudável dorme e acorda cedo buscando filosofar sobre as ações do governo de amigo de longas datas, José Maranhão.
De pronto, quis e puxou a conversa sobre que leitura eu fazia dos primeiros sessenta dias do atual Governo, bem como de sua equipe como um todo. Fiquei imaginando, 6h15 da manhã e uma conversa assim, que sentido faria para tamanho peso de análise conjuntural!
De peito aberto, como sempre foi do meu feitio, disse o que pensava algo no mesmo nível do que afirmara o interlocutor famoso, amigo do rei.
Na verdade, minha leitura é igual a de tanta gente: o governo Maranhão ainda vive os momentos de tolerância por ainda estar se moldando ao processo de gestão, sobretudo, neste tempo de crise em que os governos dão pouca dimensão mas ela, a crise, é de tamanho assustador.
Coloquei a conjuntura com pano-de-fundo porque da ultima vez que foi governador, de 98 a 2002, Maranhão enfrentou uma realidade diferente, favorável, porque estava com recursos em caixa com as vendas do Paraiban e Saelpa. Não é este cenário que vive agora.
Mesmo que não aceite, mas o tempo é o senhor da razão, a equipe do governador ainda não apresentou nada de novo até porque são poucos dias, mas começa a expirar o prazo da tolerância uma vez que as demandas publicas urgem sempre a exigir respostas imediatas.
Afora o imobilismo exceto em ações de emergência como se deu no atendimento às vitimas das enchentes no Interior do Estado a partir do próprio governador a queda na receita insiste em levar Maranhão aos temores e medidas urgentes, como por exemplo a revenda da folha de pagamento, embora não seja suficiente para tantas demandas, sempre a exigir do Governo Federal ajuda e/ou aporte compensatório porque o FPE caiu muito, da mesma forma a arrecadação de impostos.
Qualquer professor inexperiente de administração sabe que quando a crise chega as empresas optam por pagar em primazia o Pessoal e as demandas de Infraestrutura deixando para plano seguinte o pagamento dos impostos daí a queda e, pior, o alerta de que se houver arrocho fiscal pior será porque fechará as empresas.
Como o governador disse em reuniões com o Secretariado será preciso reduzir custos e agir com inventividade, criatividade algo que não é muito fácil de se fazer daí o desafio maior dos auxiliares.
Áreas estratégicas do governo já anunciam ações e até comemoram perspectivas de muitos projetos e ações mas é preciso admitir, minimamente, que boa parte do que se computa como fruto do governo em curso é conseqüência de processos advindos do governo anterior nada mal, quando se lê a realidade pelo prisma fora da paixão.
Ninguém duvida, a maioria reconhece a habilidade e historia do governador Maranhão, mas é preciso sacudir no bom sentido porque o clima pairante não está no nível da expectativa externa, embora, como disse, o governo ainda viva a fase de ajustes finais para exercer os projetos de futuro isto por parte de toda a equipe.
Antes que encerre: muito dos conceitos foram ditos insistentemente pelo amigo do governador daí ter encerrado a conversa com a sensação de que a preocupação em busca de resultados já se manifesta entre pessoas insuspeitas e historicamente comprometidas politicamente com Maranhão.
Se é assim a leitura precisa ser encarada como observações muito acima das picuinhas políticas que, facilmente, rotulam os analistas por prismas e conceitos fora de foco porque a verdade precisa prevalecer.

