Como evento público, o debate programado para esta sexta-feira à noite na TV Paraiba, afiliada da Rede Globo, em Campina Grande, sinaliza como o mais importante espetáculo (pois também o é) na véspera decisiva do segundo turno das eleições na segunda mais importante cidade da Paraiba.
Pode ser decisivo, caso algum dos dois produza alguma falha monumental, mas como hipótese tende a reproduzir um clima de muita tensão e pouca mudança eleitoral. Tudo isso em tese, lógico.
Mas, independentemente do efeito do debate, entendamos como cada candidato chega a est momento.
De um lado, o prefeito Veneziano Vital, líder inconteste de sua tendência, montado numa condição disparado e favorito da eleição no primeiro turno, que não é mais, deixou – se nivelar partindo para o segundo turno no mínimo pau a pau.
Na mobilização da militância Veneziano fez de tudo ( e mais do que isso) do que poderia fazer, ou seja, até instigou a galera a ir para o confronto custe o custar. Por isso o clima aparente de radicalismo incomum.
No mais, isto é, no dever-de-casa das grandes articulações para poder somar no segundo turno com chances de vitória, o único fato relevante que construiu foi o depoimento do presidente Lula, na antevéspera da eleição.
Nas outras conjunturas, só fez adicionar revezes. A começar ainda no dia da votação com o discurso destemperado do irmão, Vital Filho, contra setores da Imprensa seguido, no mesmo diapasão e no dia seguinte (segunda-feira) com entrevista sua desastrosa contra a Igreja Católica, o Ministério Público, a Justiça, a Imprensa, a Policia Militar e até alguns ex-aliados.
Daí em diante, atraiu para si, como se fosse auto-oposição, o danado do Cheque como motor de sua campanha, agora estocando Rômulo Gouveia numa denuncia frágil que acabou atingindo sua família, pois muitos deles receberam o beneficio da Assembléia Legislativa que nada tem a ver com cheque-saúde do primeiro turno. Nesse caso, só Freud explica.
Para completar, viu muitos ex-aliados em fileiras anunciarem apoio ao seu adversário e, como se tudo fosse pouco, permitiu que sua equipe atingisse em cheio o prefeito Ricardo Coutinho, um reforço importante nesta fase agora fora dessa condição.
Pior, ouviu da turma de Ricardo a mais forte declaração contrária em véspera de eleição: agindo assim mostra estar despreparado e desorganizado para vencer, disse fonte do PSB estadual.
Em síntese, sem que se apercebesse Veneziano acumulou muitos desafetos desde quando ascendeu à Prefeitura, deixou que a soberba e a prepotência tomasse conta da condição aparentemente humilde da primeira eleição, além de ter se envolvido com graves denuncias que mancharão sua vida política para sempre.
Trocando em miúdos, está colhendo o que plantou.
O que espera e representa Rômulo
Como reflexão primeira, o candidato tucano é mesmo um homem de sorte. Começou a campanha em forte desvantagem, condição que ele próprio não pode ignorar, diante de um adversário muito bem avaliado precisando apenas não errar muito para ser reeleito mesmo diante do carisma do governador Cássio Cunha Lima, este grande vencedor.
Rômulo teve mais outros fatores contrários a ele: primeiro o liseu, ou seja a falta de dinheiro para competir com um adversário bem montado na grana, que ergue e destrói coisas belas, segundo poeta.
Segundo, a sua estrutura de campanha foi muito amadora, em que pese o esforço do empresário Bolinha e equipe. Durante a campanha acompanhei procedimentos somente permitidos à quem nunca conviveu com o arrocho de uma grande campanha. Faltava experiência à turma, além de humildade porque ao lado estava diante de pessoas experientes, próximas dos Cunha Lima, sem serem acionados por mero capricho.
Veio o tempo e a decisiva atuação de Rômulo de sair casa a casa, segmento por segmento, com humildade absoluta, pedindo o sagrado direito ao voto começou a construir uma pequena onda até que o governador resolveu cair em campo reforçando a dedicação do candidato tucano.
Para sorte de Rômulo, estourou o Escândalo do Cheque único elemento definidor para existência de segundo turno porque nada mais abalava a predominância de Vené.
Detalhe (com pedido de compreensão): foi o portal WSCOM Online com a livre condição de exercício do jornalismo plural quem manteve o assunto para conhecimento da sociedade campinense com boicote ou desatenção dos principais veículos de comunicação do Estado.
Somente uma semana depois é que outros importantes veículos entenderam que o problema não era de campanha, mas de gravidade promovida pelo prefeito ao usar um cheque da saúde da PMCG para, via terceiros, deposita-lo na sua própria conta do TRE.
Na seqüência vieram 32 adesões de ex-candidatos a vereador, presença do ex-senador Ney Suassuna acusando Veneziano e Vital de desvios de dinheiro para conta de campanha, racha no PT, a saida do PSB da campanha com os ataques gratuitos a Ricardo Coutinho e, mais do que, a perda de prumo e rumo no Horário Eleitoral e na campanha em si partindo para instigar o confronto das militâncias.
Rômulo deu evidencia muito aquém do podia ao plano de governo mais ousado para Campina, mas diante de tudo errou menos do que seu adversário por isso chega à véspera e ao dia eleição com a expectativa de vitória invertida, ou seja, no primeiro turno era pró Veneziano, agora é em favor do Gordinho.
A pesquisa de domingo é quem referendará.