CG: quando o ódio cega e apenas denigre

Por índole, prefiro o debate intenso, mesmo que abordando temas particulares da vida pública de quem se oferece para representar a sociedade, através da político-partidária. Esta consciência trago desde os primeiros passos no bairro da Torre, onde cheguei a ‘pegar o rastro’ do debate entre João Agripino e Ruy Carneiro. Depois, no CA de comunicação, API, Sindicato dos Jornalistas, Folia de Rua e, olhando a cena americana, aperfeiçoei a conduta de saber encarar o debate com serenidade.

Nem precisava desse preâmbulo (início de conversa) para trazer à conjuntura de Campina Grande, a nova onda de debate trazida a público pelo prefeito Veneziano Vital acusando seu adversário, Rômulo Gouveia, de desviar R$ 6 milhões de auxilio saúde para aliados do ex-presidente. O assunto veio à baila sob escândalo e estigma de “cheque da saúde”.

Não durou mais de 24 horas, agora reforçado dos novos documentos apresentados nesta segunda-feira pelo presidente da AL, Artur Cunha Lima, de que se trata de denúncia sem procedência diante dos vários argumentos expostos.

Primeiro, não foi Rômulo, em 2002 – e sim, ex-presidente Inaldo Leitão que, em 1997, conduziu a aprovação do auxilio denominado de “verba de gabinete” para dar suporte financeiro aos deputados no trato das intermináveis demandas de pedidos de ajuda, entre elas na área de saúde.

Segundo: todos os ex-presidentes e o atual Artur Cunha Lima têm usado desse expediente originado em Legislação específica aprovada à unanimidade do Legislativo, tanto que todos os presidentes, inclusive Rômulo, tiveram suas contas aprovadas pelo TC. Houvesse desvios ou ilegalidade, certamente que o rumo seria outro.
Terceiro, sem que apercebesse, Veneziano acabou atingindo pessoas de sua própria família, a exemplo do deputado federal Vital Filho e de muitos outros familiares, incluindo o deputado estadual Ivaldo Morais – todos beneficiados pela verba de gabinete, que serve também de ajuda social no campo da saúde.

Quarto: segundo Artur, Vital recebeu de ajuda nesse campo cerca de R$ 400 mil quando deputado estadual.

Trocando em miúdos, a sana obsessiva de Veneziano de carimbar Rômulo como homem desonesto não conseguiu gerar sustentação, como atestam inúmeros documentos à disposição da sociedade. Daí, como conclusão, ter nascido o sentimento de que o ódio/acusação exibido pelo prefeito na reta final de campanha se voltou contra ele próprio ao ser revelado beneficiamento de familiares seus.

Certamente, que Freud explica tamanha cena típica da “montanha que pariu um rato”, no bom sentido da palavra também usada pelos filósofos de Zepa.

A questão central está na causa

Mais atenta do que antes, a sociedade ultimamente não pára de fazer juízo de valor sobre os parlamentares que, pelo voto, se apresentam como representantes populares. E age tirando do parlamento que não corresponde às suas exigências.

O caso em tela, ou seja, a famosa verba de gabinete é o instrumento construída sob debate no parlamento para fazer frente ao peditório sem fim enfrentado por quem é parlamentar.

Tanto faz ser nas assembléias da Escola de Samba Malandros do Morro, na Casa de Epitácio Pessoa ou no plenário do Congresso Nacional, não há um único lugar salvo dessa práxis, que tanto irritou Luiz Gonzaga.

Não comungo em tese com ela, digo já, mas abstraindo os “profissionais do peditório” tem gente passando fome e quando há necessidade justificada grave – aí vem os casos de saúde – daí ser pertinente excepcionalmente existir a contribuição justa e legal.

Há outros casos, também justificáveis, de alguns parlamentares citados. Aliás, nem precisava publicizar o que está amparado em lei e há comprovação do serviço indispensável.

Em síntese, há outros casos culturais, de ajuda de representação quando se precisa ir fora do estado defender causas paraibanas, etc, em todas as situações não há nada de ilegal nem absurdo.

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