A organização da Micarande, versão 2005, mostrou que a cidade tem know howpara tocar a mais resistente micareme fora da Bahia. O processo conduzido pelo
prefeito Veneziano Vital, três meses depois de empossado, não esteve abaixo do nível das anteriores, mesmo com pouco tempo para a estruturação e um desgaste do evento como modelo com sinais de saturação.
Há vários aspectos presentes na atual versão a merecer abordagem distinta neste momento, a começar pela sutil relação entre a prefeitura, como organizadora do evento,
e o governo do Estado diante do Chefe do Executivo, Cássio Cunha Lima, filho da cidade e Inventor da história.
Por tudo estar acontecendo exatamente em Campina e com as nuances acima explicitadas, o clima entre Governo e Prefeitura esteve monitorado mutuamente em cada passo, movimento ou sutilezas.
Tanto que bastou, por exemplo, o cantor Bel , do Chiclete com Banana, realçar diferentemente Cássio em detrimento do prefeito Veneziano, lá nos bastidores a reação dos assesores da Prefeitura veio de imediato não aceitando o tratamento sem a mesma dimensão para o Cabeludo.
A disputa silenciosa, harmoniosa, mas intensa tem estado presente (outro exemplo) na mais arrojada presença das policiais civil e militar como há tempo não se via num evento na cidade. Por trás dessa estratégia está a assinatura e presença sub-liminar do governador no evento, que agora tem outro inquilino mandando na bola e no pedaço.
Afora o componente específico da Micarande como ambiente de disputa interna na cidade, sem que ninguém tenha assumido, de forma sutil é visível cada uma das partes (e seus aliados) buscando se credenciar perante a opinião pública, daí 2006 ser a referência futura que já provoca agora os movimentos preliminares de uma grande disputa para o Governo e demais postos de mando.
Tanto isso é verdade que o espaço nobre dos camarotes esteve dividido com prefeitura e governo com cada um exibindo os aliados de força possível.
Nos primeiros momentos da Micarande ficou claro que, se agora está sendo assim, no Maior São João do Mundo a queda-de-braço de cada metro quadrado e de paternidade
projeta-se como nunca visto.
Faz parte, Campina é assim.
Ajustes
Independente de autoria, isto é, de se saber quem manda ou não na Micarande, o evento. Está a exigir rediscussão sobre modelo e estrutura.
Na sexta-feira, por exemplo, pela primeira vez via-se algum espaço vazio na passagem do Chiclete pelo Parque do Povo.
Tem mais: esteve o Babado Novo empolgou mais, demorou mais.
Privatização
Pela primeira vez ouvi diversos assessores da prefeitura falar sobre a possibilidade de se abrir, depois da Micarande, um debate sobre a privatização do evento deixando para
a prefeitura a parte institucional e não de organização completa.
Alguns secretários se posicionam favoráveis a privatização, mas a decisão é do prefeito.
O governador Cássio, por exemplo, defende a manutenção do que está.
Mais problema
O Ministério Público Federal começa a intimar a partir de segunda-feira que vem alguns ex-secretários da Prefeitura de João Pessoa para se pronunciarem sobre as denúncias
De irregularidades no execução de projetos na Capital.
Funcionários da Prefeitura também serão convocados para explicar porque anotaram como resolvidas obras inconclusas.
Umas & Outras
…Em que pese o pouco tempo, a equipe de Veneziano tem sofrido muito para dominar a organização em sua plenitude, entretanto, não está fazendo feio, pelo menos na
ótica de quem está chegando para acompanhar o evento.
…Todo o staff ligado ao governador em matéria de evento e cultura esteve no Comitê de Imprensa, ontem.
…O Coordenador de Comunicação da PMCG, Kenedy Sales, é um dos que defende abertamente a privatização do evento.
…A inserção de show no final do desfile dos blocos é uma opção como reforço.
Última
…Eu não sou audiência para solidão…