Hytalo Santos e Israel Vicente continuarão presos após a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) rejeitar, nesta terça-feira (3), o pedido da defesa para revogar a prisão preventiva. O julgamento ocorreu em formato semipresencial e manteve os dois no Presídio Desembargador Flóscolo da Nóbrega, conhecido como Presídio do Roger, em João Pessoa.
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp
Entre no nosso grupo e saiba tudo em primeira mão
O recurso analisado pelos desembargadores questionava a manutenção da prisão do influenciador e do marido. Os dois foram condenados em fevereiro de 2026 por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes, mas a defesa também buscava a revogação da medida preventiva.
Como o caso ganhou repercussão
As investigações envolvendo Hytalo Santos começaram antes de o caso alcançar repercussão nacional. Em dezembro de 2024, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) informou que apurava denúncias sobre possível exploração de crianças e adolescentes em publicações feitas pelo influenciador nas redes sociais.
Não conseguiu acompanhar tudo hoje?
Receba um resumo das principais notícias do WSCOM diretamente no seu e-mail, todos os dias às 19h.
Natural de Cajazeiras, no Sertão paraibano, Hytalo tinha, naquele período, cerca de 16,9 milhões de seguidores em um de seus perfis. A investigação buscava esclarecer a participação de adolescentes nos conteúdos produzidos e divulgados por ele.
Na época, o influenciador publicou vídeos em que se defendia das acusações. Ele afirmou que mantinha uma relação com os adolescentes que frequentavam sua casa, chamados por ele de “crias”, e disse que sua assessoria jurídica acompanhava as denúncias.
Vídeo de Felca amplia exposição do caso
A repercussão aumentou em 6 de agosto de 2025, quando o youtuber Felca publicou um vídeo no qual questionava a produção de conteúdos envolvendo adolescentes por Hytalo Santos.
Entre os exemplos apresentados, Felca citou Kamyla Santos, que tinha 17 anos na época. O youtuber afirmou que a imagem da adolescente era utilizada de maneira sensual para atrair público e gerar lucro nas plataformas digitais. O vídeo também mostrou trechos de publicações do influenciador.
Dois dias depois, em 8 de agosto, o perfil de Hytalo deixou de estar disponível no Instagram.
Justiça impôs restrições e autorizou buscas
Em 12 de agosto de 2025, a Justiça da Paraíba determinou que Hytalo não acessasse redes sociais e não mantivesse contato com os adolescentes mencionados no processo. A decisão também estabeleceu a desmonetização dos conteúdos publicados por ele, em resposta a um pedido do Ministério Público estadual.
O MPPB informou que o influenciador havia sido ouvido em 30 de maio daquele ano, em Bayeux. Segundo o órgão, os adolescentes não foram convocados novamente para depoimentos, a fim de evitar a revitimização.
No dia 13 de agosto, a Polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência de Hytalo, em um condomínio no bairro Portal do Sol, em João Pessoa. Ele não foi encontrado. Conforme informações registradas durante a diligência, funcionários do condomínio disseram que o influenciador havia saído antes da chegada das equipes, levando equipamentos em um veículo.
No dia seguinte, a Justiça autorizou buscas em três endereços ligados a ele: a residência no Portal do Sol e dois imóveis comerciais, nos bairros dos Expedicionários e dos Estados. Um computador e celulares foram apreendidos.
Hytalo e Israel foram presos em São Paulo
Hytalo Santos e Israel Nata Vicente foram presos preventivamente em 15 de agosto de 2025, em uma residência em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A ordem de prisão havia sido expedida pela Justiça paraibana.
Na ocasião, o delegado responsável pela captura afirmou que os dois estariam em uma possível rota de saída do Brasil. Após a prisão, eles passaram por unidades de detenção em São Paulo.
No dia seguinte, o TJPB negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Em 28 de agosto, o casal foi transferido para João Pessoa e encaminhado ao Presídio do Roger, após passar por exames no Instituto de Polícia Científica (IPC).
Justiça do Trabalho determinou bloqueio de bens
Em 20 de agosto de 2025, a Justiça do Trabalho da Paraíba determinou o bloqueio de veículos, empresas, bens e valores ligados a Hytalo e Israel. A medida poderia alcançar até R$ 20 milhões.
A solicitação foi apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), com o objetivo de garantir recursos para uma eventual indenização por dano moral coletivo e outras medidas de reparação e assistência às possíveis vítimas.
Segundo o órgão, havia indícios de movimentações financeiras atípicas e de possíveis tentativas de ocultação e transferência de patrimônio.
Condenação ocorreu em fevereiro de 2026
Em fevereiro de 2026, Hytalo e Israel foram condenados em primeira instância pela Justiça da Paraíba por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Hytalo recebeu pena de 11 anos e quatro meses de prisão. Israel foi condenado a oito anos, dez meses e 20 dias. As duas penas foram estabelecidas em regime inicialmente fechado.
A sentença foi proferida pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux.
Após a condenação, os advogados dos influenciadores apresentaram um pedido para anular a sentença. A defesa argumentou que houve uma interpretação ampla do crime e citou a chamada ECA Digital e o decreto que regulamenta a legislação. Também sustentou que os conteúdos produzidos pelo casal seriam manifestações culturais ligadas a movimentos periféricos, como o brega funk, e mencionou a liberdade de expressão cultural.
O pedido foi apresentado à Vara da Infância e Registro Público da Comarca Integrada de Bayeux e Santa Rita. Até as informações disponíveis no material de referência, não havia prazo para a análise da solicitação.
Casal também é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro
Em 1º de julho de 2026, Hytalo e Israel foram alvos de uma operação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Campina Grande e Recife.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os valores investigados poderiam ter origem em jogos e apostas ilegais, incluindo pagamentos em dinheiro relacionados ao jogo do bicho. Essa apuração é um desdobramento da investigação sobre a exploração da imagem de crianças e adolescentes.
Na ocasião, a defesa declarou ao g1 que os dois nunca se recusaram a colaborar com a Justiça e que estavam à disposição das autoridades para demonstrar sua inocência.
Hytalo responde a outros processos
Além do processo que resultou na condenação, Hytalo Santos é parte em outras 14 ações na Justiça da Paraíba, nas áreas criminal e cível. Entre os assuntos estão uma ação criminal por resistência e processos relacionados a direito de imagem, despesas condominiais e inadimplemento.
Na Justiça do Trabalho, ele e Israel também respondem a uma ação que envolve suspeitas de tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. Segundo o MPT-PB, a investigação apura indícios de que adolescentes teriam sido levados para morar na residência do casal, onde estariam submetidos a condições de trabalho, isolamento familiar e restrições de comunicação.
Os detalhes dos 14 processos em andamento não estão disponíveis no sistema do TJPB. Também há registro de outros 14 processos já arquivados definitivamente pela Justiça estadual.

