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Livro registra a voz e a memória de Maria da Soledade, pioneira do repente feminino

O repente, a cantoria e a luta das mulheres trabalhadoras rurais atravessam a trajetória de Maria da Soledade, repentista e Mestra das Artes da Paraíba que, aos 84 anos, tem sua história registrada em livro. “Maria da Soledade – Versos, Voz e Memória”, escrito pela jornalista Janaína Araújo e publicado pela Editora Tempo Livre, será lançado neste sábado (7 de novembro), às 19h, no Teatro Santa Ignez, em Alagoa Grande.

 

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O lançamento é uma realização da Associação dos Artistas, Produtores, Divulgadores e Defensores da Cultura de Alagoa Grande e da Obra de Jackson do Pandeiro (Afrorro). A obra reúne entrevistas, documentos e fotografias para narrar o percurso de uma mulher que abriu caminhos na cantoria e participou da organização política das trabalhadoras do campo. A ação foi selecionada no edital Ações Continuadas, do programa ICMS Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura e do Governo do Estado da Paraíba.

 

Das primeiras experiências com a viola à realização de encontros de mulheres violeiras, o livro acompanha a construção de uma voz que enfrentou resistências para ocupar os palcos. Também registra sua atuação na liderança do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande e no movimento de mulheres trabalhadoras, aproximando criação poética, memória e luta por direitos.

 

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Para Bibiu do Jatobá, representante da Afrorro, a publicação fortalece a preservação da cultura popular e o reconhecimento de seus protagonistas. “Alagoa Grande precisa conhecer e valorizar a história de Soledade. Ela levou sua poesia aos palcos e sua coragem à luta das mulheres trabalhadoras rurais. Realizar esse lançamento é celebrar uma artista da nossa terra e ajudar a fazer com que sua memória chegue às novas gerações.”

 

A escrita nasceu de uma escuta em que as lembranças frequentemente ganhavam a forma de versos. Nas entrevistas, Soledade retomou episódios da infância, da adolescência e da vida como cantadora, além de reafirmar a defesa da presença das mulheres no repente. “Muitas vezes, as entrevistas aconteciam no ritmo da cantoria. Soledade contava e cantava suas lembranças. Fui construindo o livro a partir dessa escuta, em diálogo com documentos e fotografias. Foi uma honra registrar sua história e acompanhar a força criativa com que ela narra a própria vida”, afirma Janaína Araújo.

 

Para Soledade, o livro realiza um sonho. A ideia do projeto surgiu em um encontro em celebração aos 100 anos de Elizabeth Teixeira, quando ela e Oliveira de Panelas cantaram em defesa da democracia e da luta pela terra. “Era um sonho realizar esse projeto. Agora deixo tudo registrado enquanto estou aqui. Muitas pessoas poderão conhecer esse lado da minha vida”, diz a repentista.

 

Ao reunir a narrativa de Soledade e os registros de seu acervo, a publicação oferece ao público uma história da cultura popular contada também pela perspectiva de uma mulher que ajudou a transformá-la.

 

SERVIÇO
Lançamento: Maria da Soledade — Versos, Voz e Memória
Data: sábado, 7 de novembro de 2026
Horário: 19h
Local: Teatro Santa Ignez, Alagoa Grande – PB
Realização: Afrorro por meio do edital Ações Continuadas, do programa ICMS Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura e do Governo do Estado da Paraíba.
Editora: Tempo Livre

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