O jornalista Walter Santos relembrou a trajetória de criação do Portal WSCOM e da Revista Nordeste e afirmou que os projetos nasceram de decisões empresariais tomadas a partir de estudos sobre as transformações do mercado de comunicação. A declaração foi feita nesta quarta-feira (26), durante entrevista ao programa In Foco, apresentado por Miriam Ribeiro, na TV Master.
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Ao falar sobre a origem do WSCOM, Walter contou que, em 1998, decidiu deixar os vínculos profissionais que mantinha com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Sebrae e a Unimed Norte-Nordeste.
O jornalista destacou que a iniciativa surgiu em um momento em que o acesso à internet ainda era marcado pelas conexões discadas, com limitações técnicas e de velocidade. A proposta, segundo ele, era apostar no webjornalismo em uma época na qual o modelo ainda estava em formação.
Walter também lembrou uma conversa que teve com Luiz Crispim, então secretário de Comunicação, durante o processo de estruturação do projeto. Segundo o jornalista, naquele período, o espaço que viria a abrigar a operação ainda precisava ser reorganizado.
“Eu saí dizendo lá naquele dia: ali vai ser a redação, o estúdio vai ser ali, administração, o comercial”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a iniciativa, Walter disse ter ouvido que estaria “enlouquecendo” ao apostar em um projeto de webjornalismo quando os veículos tradicionais ainda concentravam a comunicação.
A aposta no entanto acabou se mostrando bem sucedida em meio à transformação tecnológica do setor.
Estudo sobre o mercado nordestino
Walter afirmou que as decisões tomadas ao longo da trajetória do WSCOM e da Revista Nordeste não foram baseadas apenas em intuição, mas houve estudos para identificar as possibilidades de sobrevivência e expansão de veículos de comunicação diante das mudanças tecnológicas.
O jornalista citou a proximidade profissional que manteve com o estatístico Paulo Nakamura, professor da UFPB, responsável, segundo Walter, por pesquisas de opinião pública e análises de mercado.
“Não foi só na base do chute. Eu estudei um mercado”, afirmou.
Walter contou que contratou Nakamura para realizar uma análise do mercado nordestino e identificar quais veículos de comunicação poderiam sobreviver à nova fase tecnológica.
A experiência também teria sido aplicada ao projeto da Revista Nordeste.
Encontro com Roberto Civita
Na entrevista, o jornalista também recordou um encontro que teve em São Paulo, em 2008, durante um evento da Associação Nacional das Editoras de Revistas.
Walter relatou ter conversado com Roberto Civita, então dirigente do Grupo Abril e da revista Veja. Segundo ele, Civita havia tomado conhecimento da experiência da Revista Nordeste e o apresentou à esposa, Antonia Civita.
“Ele disse: Antônia, venha cá conhecer esse rapaz aqui. Em 2005/2006 eu contratei um equipe para fazer uma um mergulho, uma imersão no mercado do Nordeste para saber como viabilizar uma revista no Nordeste e recebi como orientação desse grupo a informação de que era inviável economicamente produzir uma revista nos novos estados do Nordeste, ,as veja aqui olha a qualidade“, lembrou.
O episódio, segundo Walter, representou um reconhecimento da dimensão do projeto e da dificuldade de criar um veículo de comunicação com abrangência regional em um mercado considerado economicamente inviável por muitos.
Paraíba e a transformação da comunicação
Walter também associou sua trajetória no jornalismo às transformações urbanas e tecnológicas de João Pessoa. Ele citou a atuação em defesa da revitalização do Centro Histórico da capital. Segundo Walter, o setor de comunicação passa novamente por uma etapa de transformação, exigindo decisões empresariais e editoriais diante das novas tecnologias.
Ele defendeu que o futuro dos veículos depende da capacidade de reunir equipes e estimular criatividade, especialmente com a participação de profissionais de diferentes perfis e faixas etárias.
Fake news e influência nas eleições
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o impacto das redes sociais sobre o ambiente político e eleitoral. Walter afirmou que o ecossistema midiático passou a ser fortemente afetado pela circulação de fake news e por estratégias de manipulação de informações. Para ele, conteúdos falsos podem ganhar aparência de verdade quando são repetidos de maneira sistemática.
“Esse contexto midiático foi invadido pelo que nós chamamos de fake news, que são mentiras repetidas e, em tese, se transformam em verdades relativas no processo eleitoral”, declarou.
O jornalista também citou um episódio ocorrido na semana anterior, em Recife, que, segundo ele, teria envolvido a contratação de profissionais especializados em internet e redes sociais por um grupo político de Pernambuco para atacar o ex-prefeito João Campos.
Walter afirmou que o episódio demonstra como as redes sociais podem ser utilizadas dentro de estratégias políticas destinadas a influenciar processos eleitorais. Para ele, o desafio atual da comunicação não se limita à adaptação tecnológica. Envolve também a necessidade de compreender como as plataformas digitais são utilizadas para disseminar informações, organizar campanhas e influenciar a percepção dos eleitores.
“Esse universo midiático que se chama as redes sociais invariavelmente é invadido por estratégias voltadas para interesse de manipulação de dados e influenciar os processos eleitorais”, afirmou.

