Fogueiras e fogos acendem alerta para queimaduras durante o São João

Especialista orienta sobre primeiros socorros e lista práticas populares que podem agravar as lesões

Cuidados são essenciais para a diversão não gerar marcas pra vida toda_Banco de imagem
Cuidados são essenciais para a diversão não gerar marcas pra vida toda_Banco de imagem

O colorido dos fogos de artifício e o calor das fogueiras fazem parte das tradições juninas, mas também transformam o período em uma das épocas do ano com maior risco de acidentes por queimaduras. Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras apontam que cerca de 10 mil pessoas são atendidas anualmente no país durante o mês de junho com esse tipo de ocorrência, sendo as crianças as principais vítimas.

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Segundo Mayara Evangelista, coordenadora do curso de Enfermagem da FPB, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, embora as celebrações juninas sejam marcadas pela confraternização e pela cultura popular, é fundamental que a diversão venha acompanhada de cuidados.

“Fogos e fogueiras fazem parte da tradição, mas exigem atenção constante. Muitos acidentes acontecem por descuido, uso inadequado de artefatos ou falta de supervisão. Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis e precisam de atenção redobrada durante as festividades”, destaca.

Entre as recomendações da especialista está a compra de fogos apenas em estabelecimentos autorizados e com procedência conhecida. Também é importante evitar produtos de fabricação caseira, não tentar reacender fogos que falharam e manter distância de redes elétricas e de locais onde haja consumo de bebidas alcoólicas.

Em caso de queimadura, os primeiros minutos após o acidente são decisivos para minimizar os danos à pele e evitar complicações.

“A primeira medida é lavar imediatamente o local atingido com água corrente limpa, em temperatura ambiente. Essa ação ajuda a interromper o processo de queimadura e reduz os danos aos tecidos. Se houver bolhas, dor intensa ou uma área extensa comprometida, a vítima deve receber atendimento médico o mais rápido possível e, em situações mais graves, o SAMU deve ser acionado pelo número 192”, orienta Mayara.

Mitos podem agravar as lesões

Apesar dos avanços nas orientações de saúde, receitas caseiras ainda são frequentemente utilizadas após acidentes com queimaduras. A coordenadora alerta que muitas dessas práticas podem piorar o quadro e aumentar o risco de infecções.

“Aplicar pasta de dente, manteiga, margarina, óleo, clara de ovo, pó de café, mel ou qualquer outra substância sobre a queimadura é um erro. Além de contaminarem a lesão, esses produtos dificultam a avaliação médica e podem reter calor na pele, agravando o ferimento”, explica.

Outro equívoco comum é o uso de gelo ou água extremamente gelada. Segundo a especialista, o frio excessivo pode provocar novas lesões nos tecidos já comprometidos. “O correto é utilizar apenas água corrente em temperatura ambiente. Também não se deve estourar as bolhas, pois elas funcionam como uma proteção natural contra infecções”, acrescenta a especialista.

Sequelas podem permanecer por toda a vida

De acordo com Mayara, os riscos das queimaduras vão muito além da dor provocada no momento do acidente. Dependendo da gravidade, as lesões podem deixar sequelas permanentes, como cicatrizes, limitação de movimentos, dor crônica e até aumentar o risco de desenvolvimento de câncer de pele ao longo dos anos.

As queimaduras são classificadas em três graus. As de primeiro grau atingem apenas a camada superficial da pele e costumam causar vermelhidão e ardência. As de segundo grau provocam bolhas e acometem camadas mais profundas. Já as de terceiro grau são as mais graves, podendo destruir todas as camadas da pele e atingir músculos e ossos, exigindo atendimento hospitalar imediato.

Outros riscos

A inalação de fumaça também é um perigo muitas vezes negligenciado durante as comemorações. “A exposição prolongada à fumaça das fogueiras pode causar danos ao sistema respiratório e provocar intoxicação por monóxido de carbono, especialmente em ambientes fechados ou pouco ventilados”, acrescenta Mayara. O alerta ganha ainda mais relevância neste período junino.

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