O cantor e compositor paraibano Erick de Almeida lança, no dia 14 de agosto, em todas as plataformas de streaming, o álbum “Pare, Olhe, Escute! Aqui Tem Gente!”. São 11 faixas que nascem de uma trajetória pouco comum: a de um professor que, ao longo de mais de uma década de trabalho com crianças em uma escola pública do Centro Histórico de João Pessoa, transformou salas de aula em laboratório de composição e a luta de uma comunidade ribeirinha pela permanência em seu território em matéria-prima de canção.
Um disco nascido do Porto do Capim
O álbum é uma homenagem ao Porto do Capim, comunidade tradicional e ribeirinha situada às margens do Rio Sanhauá, no Centro Histórico da capital paraibana, e que ocupa o exato local onde a cidade foi fundada, em 1585. Reconhecida desde 2015 como comunidade tradicional e ribeirinha por laudo antropológico do Ministério Público Federal, a região já enfrentou diferentes ameaças de remoção ao longo dos anos e hoje é pauta de um projeto de requalificação urbana negociado diretamente com seus moradores. É essa história de resistência, pertencimento e memória que atravessa o álbum de Erick de Almeida.
Resumindo o trabalho em uma frase, o artista define: “Pare, olhe, escute! Aqui tem gente!, um álbum em homenagem à luta pela permanência da comunidade do Porto do Capim em seu território.”
Da sala de aula às canções
A gênese do álbum remonta a 2011, quando Erick passou a atuar como músico colaborador do projeto de extensão universitária “Subindo a Ladeira”, voltado à Educação Patrimonial através da Arte com crianças da Escola Estadual Padre João Félix, no Porto do Capim. O convite inicial era pontual: compor trilhas sonoras e canções para contações de história e experimentos cênicos produzidos pelas próprias crianças ao final de cada ano letivo.
Foi esse processo, sustentado ano após ano, que deu origem a praticamente todo o repertório do disco. Em 2013, diante da ameaça de remoção da comunidade pelo poder público, a problemática invadiu a sala de aula e a equipe do projeto decidiu trabalhar a história local em diálogo direto com aquilo que as crianças traziam de casa. Desse momento nasceram a canção-título do álbum e “Ala Ursa Quer!”, que cruza uma brincadeira popular da comunidade com as reivindicações de seus moradores. Em anos anteriores, experimentos cênicos sobre a ocupação indígena Potiguara que antecedeu a chegada portuguesa à região já haviam gerado as canções “Brincadeira no Rio” e “De Maré”, compostas em parceria com a historiadora Regina Célia, coordenadora do projeto.
“Com o passar do tempo, muitas histórias foram contadas, comecei a perceber a importância daquele lugar, e meu ânimo para compor se voltou para as muitas histórias de vida e de resistência da comunidade tradicional e ribeirinha do Porto do Capim”, conta Erick de Almeida.
Para ele, o álbum é antes de tudo um convite à reflexão sobre o vínculo territorial. “Este álbum fala de pertencimento, identidade, conexão com um território tradicional. Sinto que estamos perdendo o vínculo com os lugares onde habitamos, com as pessoas que convivemos, e perdendo relação com os símbolos, imagens, sonoridades e outros aspectos da cultura que nos caracterizam como comunidade”, afirma.
Um mosaico de gêneros brasileiros
Classificado pelo próprio autor dentro do guarda-chuva da MPB, o álbum é na verdade um mosaico de gêneros populares brasileiros. Há o samba que dá nome à faixa-título, o xote em “Seu Alagoas”, a ciranda em “Meu Quintal É o Mangue” e, ao longo das 11 faixas, ainda aparecem coco, capoeira, caboclinho, baião e congo de ouro, muitas vezes dentro de uma mesma canção.
Erick situa esse repertório dentro de uma genealogia musical declaradamente paraibana e nordestina. Entre as referências que atravessam o disco, ele cita nomes da cena local como Totonho, Adeildo Vieira, Cátia de França, Socorro Lira, Escurinho, Pedro Osmar, Paulo Ró, Chico Limeira e Milton Dornelas, além de artistas pernambucanos como Siba, Lula Queiroga, Antônio Nóbrega, Flaira Ferro e Cordel do Fogo Encantado, e dos grandes nomes da música popular brasileira: Milton Nascimento, Djavan, Caetano Veloso e Gilberto Gil. “Como sou um fazedor de canções, avalio que essa gente toda que escuto, de alguma forma, me ajuda a criar”, diz o compositor.
Processo e participações
Sonoramente, o álbum também guarda particularidades do próprio processo de produção: gravado entre junho de 2019 e dezembro de 2025, em cinco espaços diferentes, entre eles o home studio do próprio Erick, o Abacateiro Estúdio e o Estúdio do Coletivo Candiêro, o disco reúne uma banda de base (violão, violino, rabeca, guitarras, viola caipira, baixo, bateria e percussão) e uma extensa lista de convidados, incluindo coros de vozes femininas e masculinas e falas de moradores do Porto do Capim incorporadas diretamente às faixas.
O álbum marca para Erick de Almeida a consolidação de uma identidade profissional dupla. “Este álbum consolida um processo de reconhecimento profissional, de uma pessoa que assume dois papéis: o professor/artista ou seria artista/professor?”, brinca. “O artista não existiria sem a segurança financeira que o professor proporcionou nestes últimos tempos, e o professor não resistiria ao cotidiano da sala de aula sem a poesia que o artista empresta dia a dia para a prática pedagógica.”
Documentário e videoclipe
O lançamento do álbum se desdobra também em imagens. Um mini-documentário homônimo, gravado no Porto do Capim em maio de 2026, acompanha Erick em reflexões sobre a relação entre os ofícios de professor e artista e sobre o processo de produzir um disco a partir de sua experiência em sala de aula, em diálogo direto com a comunidade que inspirou as canções. O material será lançado em pílulas no Instagram do artista, e a versão completa estará disponível em agosto no canal da Taioba Music no YouTube, junto com o videoclipe da faixa-título, gravado no pier do Trapiche do Porto do Capim, um dos cartões-postais da paisagem ribeirinha de João Pessoa, com vista para o Rio Paraíba.
Sobre Erick de Almeida
Erick de Almeida é um músico popular, cantor e compositor cuja carreira, em 2026, completa 20 anos de estrada. Sua atuação se divide entre a produção artística e a educação musical. Com formação em Canto Popular pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ele é a voz e a força criativa por trás do grupo Baluarte desde 2006, destacando-se pelo repertório autoral que deu origem aos álbuns Semaforizado e Pulsa.
Paralelamente ao trabalho em grupo, o artista iniciou em 2019 sua carreira solo, dedicando-se à gravação de seu repertório de canções que abordam a temática da comunidade tradicional do Porto do Capim, um trabalho que reflete seu engajamento cultural e compromisso com o centro histórico de João Pessoa-PB.
Sua habilidade como compositor também se estende ao campo das trilhas sonoras, com criações para espetáculos de dança contemporânea como Pulsação (Cia. ACena – 2008), O Castelo (Paralelo Cia. de Dança – 2009) e Rede Poética (Cenário Cia. De Dança – 2015). No cinema, criou em parceria com Marta Sanchís a canção tema (Estrangeira) do longa-metragem Estrangeiro, do diretor Edson Lemos (2018), e conquistou o Troféu Rodrigo Rocha pela melhor trilha sonora original do curta Élia OFF (2010).
Ficha técnica
Direção musical: Erick de Almeida
Produção musical: Iago Peregrino e Erick de Almeida
Captação e edição de áudio: Iago Peregrino
Mixagem e masterização: Iago Peregrino, no Abacateiro Estúdio
Identidade visual: Sílvio Sá
Gravado entre: junho de 2019 e dezembro de 2025
Estúdios: Home Studio de Erick de Almeida; Abacateiro Estúdio; Angelim Estúdio; Home Studio de Caio Bertazolli; Estúdio do Coletivo Candiêiro
Banda: Erick de Almeida (violão, voz e backing vocal), Ana Rosa (violino e rabeca), Rodolfo Lopes (guitarras e viola caipira), Emanuel Rudá e Ingrid Simplício (baixo), Iago Peregrino (bateria e percussão)
Participações especiais: Ali Cagliani, Danylo Aguiar, Gláucia Lima, Jéssica Cardoso, Marta Sanchís, Mestre Robson Santiago (vozes); Rossana Holanda, João Firmino (Seu Alagoas), Odaci de Oliveira e Odenice de Oliveira (falas de moradores do Porto do Capim); Aline Cardoso (poesia e declamação); coletivo Jambeira (arranjo da faixa 6); coros formados por Ali Cagliani, Ana Rosa, Jéssica Cardoso, Jú Fábia, Mayra Montenegro, Rinah Souto, Tainá Macêdo, Pedro Paz, Thiago Bezerra e Luduvina Farias, entre outros colaboradores.
Repertório:
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Pare, Olhe, Escute! Aqui Tem Gente! (Erick de Almeida)Ala Ursa Quer! (Erick de Almeida)
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A Viagem Transcendental de Pedro Poty (Erick de Almeida)
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Comadre Fulozinha (Carlos Anísio)
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De Maré (Regina Célia / Erick de Almeida)
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Crianceira (Valeska Asfora / Erick de Almeida)
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Brincadeira no Rio (Regina Célia / Erick de Almeida)
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Seu Alagoas (Erick de Almeida)
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Meu Quintal É o Mangue (Erick de Almeida)
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Procissão (Erick de Almeida)
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Porto (Erick de Almeida)
Álbum: Pare, Olhe, Escute! Aqui Tem Gente!
Artista: Erick de Almeida
Selo: YB Music em parceria com a Taioba Music
Lançamento: 14 de agosto de 2026, em todas as plataformas de streaming
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