Às vésperas da Copa, especialista analisa como o futebol influencia humor e relações entre torcedores

Convocação da Seleção despertou emoções e reforçou ligação afetiva dos brasileiros com o esporte

 A divulgação da convocação da Seleção Brasileira reacendeu um ritual já conhecido pelos brasileiros: comentar os nomes escolhidos, montar escalações ideais, criar expectativas e transformar cada partida em assunto inevitável nas rodas de conversa.
Em ano de Copa do Mundo, o futebol ultrapassa o entretenimento e passa a ocupar espaço na rotina e até na saúde emocional da população. Segundo especialistas, é justamente nesse contexto que a Psicologia soma ao jogo e tem muito a contribuir.
De acordo com Jefferson Andrade, psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), integrante do maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, torcer mobiliza emoções profundas porque o esporte funciona como um importante mecanismo de pertencimento coletivo.
“Quando a Seleção vence, muitas pessoas sentem orgulho, euforia e sensação de união. Já nas derrotas, especialmente em jogos decisivos, surgem frustração, tristeza e até sintomas físicos, como ansiedade, irritação e dificuldade para dormir”, explica.
O envolvimento emocional com o futebol, segundo ele, é natural e faz parte da cultura brasileira. O próprio histórico da Seleção contribui para fortalecer essa relação simbólica. O Brasil é o único país presente em todas as edições da competição e chega ao torneio de 2026 em busca do hexacampeonato, após mais de duas décadas sem conquistar o título mundial. Esse contexto amplia a expectativa coletiva e transforma as partidas em experiências emocionalmente intensas.
“O torcedor não acompanha apenas um jogo. Ele projeta memória afetiva, identidade nacional, relações familiares e experiências pessoais. O futebol desperta lembranças e sentimentos construídos ao longo da vida”, afirma.

Saúde emocional

Apesar de toda a paixão envolvida, não é saudável condicionar o bem-estar ao desempenho do time. Para o especialista, é natural que o esporte desperte fortes sensações, mas é preciso moderação.
“Existe uma diferença entre viver intensamente o futebol e transformar o resultado de um jogo em fator determinante para o equilíbrio emocional. Quando a pessoa perde o controle, rompe relações, desenvolve agressividade excessiva ou sofre impactos prolongados após derrotas, é importante olhar para isso com atenção”, ressalta.
Andrade também defende a ampliação das conversas sobre o tema entre torcedores, atletas e profissionais do esporte. “Durante muito tempo, o sofrimento emocional foi tratado como exagero ou sinal de fraqueza, principalmente no ambiente do futebol. Hoje entendemos que as emoções fazem parte da experiência esportiva e precisam ser acolhidas de maneira responsável”, pontua.
Em clima de Copa, a avaliação é de que o futebol deve continuar sendo um espaço de celebração, sem deixar de lado o cuidado com a saúde mental. “Torcer é uma das expressões mais bonitas da nossa cultura. O importante é lembrar que, independentemente do placar, a saúde emocional também precisa entrar em campo”, conclui.

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