Efeito Tarifaço: exportações do Brasil para os EUA caem 13% no 1º semestre e atingem mínima histórica

As exportações brasileiras para os EUA caíram 13% no 1º semestre (US$ 17,4 bi), o menor patamar em 30 anos.
Trump e Lula durante encontro na Malásia em outubro de 2025 — Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República/ 26-10-2025

Atingidas pelo tarifaço da gestão Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% no primeiro semestre e fecharam em US$ 17,4 bilhões — o menor valor histórico para o período, segundo dados da Amcham Brasil divulgados pelo jornal O Globo.

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Com as barreiras comerciais impostas desde o ano passado, a participação dos EUA no total das exportações do comércio exterior brasileiro recuou para apenas 9,4%.Trata-se do índice mais baixo já registrado pela série histórica, iniciada em 1997.

Nesta quarta-feira (22), entra em vigor uma nova sobretaxa de 25% definida pela Casa Branca, decorrente de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Embora haja uma lista de exceções que abrange cerca de 60% da pauta exportadora do Brasil para o país, os produtos manufaturados ficaram majoritariamente de fora das isenções.

Trocas bilaterais em queda e diversificação global

Ao todo, a corrente de comércio (soma de importações e exportações) entre Brasil e Estados Unidos encolheu 12,8% no primeiro semestre em relação a janeiro-junho de 2025, movimentando US$ 36,4 bilhões.

Enquanto a relação comercial com os EUA arrefece, o Brasil conseguiu expandir suas exportações globais em 11,5% no mesmo período. A alta foi impulsionada pelo crescimento expressivo das vendas para outros parceiros comerciais de peso, como a China, cujas remessas brasileiras saltaram 21,9%, e a União Europeia, que registrou avanço de 12,8%.

Em nota oficial, o presidente da Câmara de Comércio Americana no Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, alertou para a gravidade do cenário e a urgência de negociações:

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”.

Impacto direto nos produtos sobretaxados

De acordo com os dados apresentados pela Amcham, a retração das vendas para os EUA é sensivelmente maior entre as categorias de produtos que sofreram tarifação direta. Enquanto os bens alvos de sobretaxas tiveram uma queda de 16,6% no semestre, os produtos isentos de taxas registraram recuo menor, de 8,7%.

Entre os dez principais itens da pauta exportadora do Brasil para os norte-americanos, cinco sofreram quedas acentuadas nas vendas — todos integrando a lista de produtos taxados pelo governo dos EUA:

  • Café não torrado: -34,8%
  • Petróleo bruto: -30,4%
  • Semi-acabados de ferro ou aço: -21,7%
  • Celulose: -9,4%
  • Ferro-gusa de ferro ou aço: -1,2%

Em contrapartida, os outros cinco produtos que completam o topo do ranking de exportações brasileiras para o país apresentaram expansão no período:

  • Carne bovina: +41%
  • Aeronaves: +32,9%
  • Equipamentos de engenharia: +23,8%
  • Máquinas de energia elétrica: +16%
  • Óleos combustíveis: +13,7%

Queda nas importações e cenário de incertezas

O movimento de retração não ficou restrito às exportações brasileiras. As compras feitas pelo Brasil de produtos oriundos dos EUA caíram 12,5% no primeiro semestre. Essa redução foi puxada principalmente pela queda de 76% na importação de máquinas e motores (menos US$ 2,7 bilhões) e pela redução de 14,6% em aeronaves e partes (menos US$ 100 milhões).

Apesar do tombo acumulado no semestre, o mês de junho apresentou os primeiros sinais de reação. Após dez meses consecutivos de retração decorrentes das tarifas estabelecidas por Trump em agosto do ano passado, as exportações do Brasil para os EUA subiram 3,7% em valor no mês passado, embora tenham registrado recuo em volume físico.

O horizonte para o comércio bilateral permanece cercado de incertezas. A Amcham destaca que os produtos tarifados continuam em queda contínua no mercado americano e ressalta riscos adicionais no radar, como a imminência de novas taxas resultantes da investigação do USTR e a instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que encarece derivados de óleo e gás.

Crédito: Brasil 247

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