Redução da jornada aumenta produtividade e não gera inflação, defende Nobel de Economia

(Foto: Reprodução)

De acordo com o economista cipriota-britânico Christopher Pissarides, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2010, a redução da jornada de trabalho está atrelada ao aumento da eficiência dos trabalhadores. Pissarides argumentou, em entrevista à Folha de São Paulo, que a tendência global pode agir como uma ferramenta de estímulo de rendimento dentro das empresas e, ao mesmo tempo, não gerar grandes impactos inflacionários.

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O impacto da jornada reduzida na produtividade

O debate sobre a redução da escala de trabalho — que ganha força no Brasil com as discussões sobre o fim da escala 6×1 — encontra respaldo na análise histórica e teórica de Pissarides. Para o professor da London School of Economics (LSE), o foco do trabalhador se torna mais agudo quando o tempo disponível é menor.

“Diria que, mais do que possível, é provável que a produtividade aumente se você souber que tem menos horas para trabalhar”.

Apesar de apoiar a transição para modelos de trabalho mais curtos, Pissarides alerta para a necessidade de flexibilidade. Ele explica que a mudança não deve ocorrer de forma idêntica para todos os setores. Trabalhadores de setores como hotelaria, restaurantes e transportes públicos, por exemplo, não podem folgar nos mesmos dias que o restante da força de trabalho, o que exige planejamentos específicos e escalas dinâmicas.

Inteligência artificial como aliada, não como ameaça

Em vez de provocar um colapso no mercado de trabalho, a inteligência artificial (IA) deve atuar como uma ferramenta de otimização, segundo o Nobel de Economia. Ele contesta visões pessimistas que preveem o desemprego em massa decorrente da automação tecnológica.

“Acho que o maior risco é a incerteza que cerca a IA, porque ela pode substituir empregos, e vai substituir alguns. Mas não penso que vai ser uma devastação completa de empregos, como algumas pessoas estão prevendo”.

Na visão do especialista, a tecnologia deve ser integrada para liberar o trabalhador de tarefas repetitivas, permitindo que a sociedade desfrute de jornadas menores, salários melhores e mais tempo de lazer.

Sindicatos e o papel do Estado

Pissarides também se posiciona de forma contrária ao modelo de pagamento puramente por hora trabalhada para a maioria das funções, ressaltando que esse formato transfere o risco da operação comercial para o elo mais fraco da corrente: o trabalhador. “O risco do negócio é da empresa”, assevera.

Ele também pontua que os ajustes de jornada devem ser mediados por negociações coletivas robustas e não por decisões impositivas e unilaterais do governo, assegurando que sindicatos e entidades patronais encontrem o equilíbrio ideal para cada realidade econômica.

Crédito: Brasil 247

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