Operação Perfídus: áudio indica suposto plano para repassar R$ 60 mil do tráfico ao delegado Braz Morroni, segundo investigação

Gravação atribuída ao agente Everton Aires menciona conta de construtora ligada a outro policial e entrega em dinheiro.

Delegado Braz Morroni

Um áudio atribuído pela Polícia Civil ao agente Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como Bomba, indica um suposto plano investigado na Operação Perfídus para repassar R$ 60 mil ao delegado Braz Morroni sem utilizar a conta bancária dele.

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No material obtido pelo g1, Everton pede que um homem chamado de Shelby, identificado pela investigação como Isaque Pontes Costa, envie o valor para a conta de uma construtora ligada ao agente Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como Mão Branca.

Segundo o relato feito por Everton na gravação, Eduardo Jorge sacaria o dinheiro para entregá-lo em espécie a Braz Morroni. O agente afirma que o delegado não queria receber o valor por meio de Pix para evitar o rastreamento da transação.

“O delegado quer receber a parte dele em cash, aí eu disse a ele: ‘meu filho, se eu estou recebendo do Pix, eu vou fazer Pix, eu não vou sacar dinheiro não’”, afirma Everton Aires no áudio.

Na sequência do diálogo, Shelby diz que prefere enviar todo o valor por meio de Pix. Ele também afirma utilizar contas bancárias de terceiros, cujos titulares receberiam pagamentos mensais, para dificultar o rastreamento das movimentações.

O trecho divulgado não informa se a transferência foi realizada nem se Braz Morroni chegou a receber o dinheiro.

Valor estaria relacionado a drogas desviadas

Segundo a investigação, os R$ 60 mil estariam relacionados à venda de parte de uma carga de drogas supostamente desviada após uma ação policial realizada em 12 de setembro de 2025.

O relatório final do inquérito aponta que cerca de 60 kg de drogas foram encontrados em um apartamento, mas somente 3 kg teriam sido oficialmente apresentados na delegacia. A Polícia Civil sustenta que os outros 57 kg foram desviados. A diferença foi avaliada em aproximadamente R$ 2,1 milhões.

O boletim de ocorrência relacionado à ação foi registrado três dias depois. Conforme o inquérito, o documento apresentava informações incompatíveis com a quantidade de drogas encontrada no imóvel.

Polícia Civil pede prisões preventivas

Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge permanecem presos temporariamente desde a deflagração da Operação Perfídus, em 2 de junho. Os três estão no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

A Polícia Civil concluiu um dos inquéritos e pediu à Justiça a prisão preventiva do delegado e dos dois agentes.

No relatório, os três foram indiciados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. As suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico são investigadas em outro inquérito.

O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não equivale a uma condenação judicial.

Operação Perfídus

A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Foram expedidos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões dos investigados.

Everton Aires é apontado pela Polícia Civil como um dos principais operadores do grupo e suspeito de fazer a ligação entre policiais e traficantes. Eduardo Jorge, por sua vez, é investigado por suposta participação no desvio e armazenamento de drogas.

Antes do afastamento determinado pela Justiça, Braz Morroni atuava na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio de João Pessoa. Com mais de 20 anos de carreira, ele também passou pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

O que dizem as defesas

Procurada sobre o conteúdo do áudio, a defesa de Braz Morroni não respondeu até a publicação desta matéria. Em manifestação divulgada após a prisão, os advogados defenderam o direito à presunção de inocência e afirmaram que buscariam comprovar a inocência do delegado.

A defesa de Everton Aires informou que não tinha conhecimento da conclusão do inquérito. Já a defesa de Eduardo Jorge declarou que ainda não poderia se pronunciar sobre o pedido de prisão e defendeu a realização de um processo democrático, justo e honesto.

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