Novo tarifaço de Trump faz Brasil liderar alta de tarifas impostas pelos EUA

Levantamento mostra que produtos brasileiros terão o maior aumento de alíquotas entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos; governo brasileiro prepara reação

Contêineres em porto de exportação representam impacto das novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O Brasil será o país que registrará o maior aumento nas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à presidência. A mudança ocorre após o anúncio de uma nova taxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, divulgado pelo governo americano na quarta-feira (15).

Segundo dados do Global Trade Alert (GTA), iniciativa do centro de estudos suíço St. Gallen Endowment compilados pela BBC News Brasil, a tarifa efetiva média aplicada aos produtos brasileiros passará de 1,19%, no fim do governo Joe Biden, para 14,42% quando as novas medidas entrarem em vigor no fim deste mês. O aumento supera o registrado por outros grandes exportadores para os Estados Unidos, como Coreia do Sul, Tailândia, Japão e China.

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Os números consideram as chamadas tarifas efetivas, que refletem o percentual realmente pago pelos exportadores após a aplicação das exceções previstas na legislação americana. Embora a tarifa nominal anunciada pela Casa Branca seja de 25%, milhares de produtos brasileiros permanecem isentos ou sujeitos a alíquotas menores, reduzindo a média efetiva para 14,42%.

Com a mudança, o Brasil deixa a 13ª posição e passa a figurar entre os países mais tarifados pelos Estados Unidos, ultrapassando economias como Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Itália e Vietnã. Apenas os produtos chineses continuarão sujeitos a uma tarifa efetiva média superior, estimada em 21,5%.

As novas tarifas atingem diversos segmentos da pauta exportadora brasileira, incluindo açúcar, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos, papel, aço e vestuário. Por outro lado, a lista de exceções foi ampliada e passou a incluir itens como mel orgânico, ferro-gusa e café solúvel sem sabor.

De acordo com o GTA, apenas cerca de um quarto dos produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos ficará sujeito à tarifa máxima de 25%. Considerando as exportações brasileiras de 2024, avaliadas em US$ 39,6 bilhões, aproximadamente US$ 8,5 bilhões serão diretamente afetados pela alíquota mais elevada.

As medidas são resultado de uma investigação comercial aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, política tarifária para o etanol e fiscalização do desmatamento ilegal.

Em resposta, o governo brasileiro classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações bilaterais e informou que pretende acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). O Ministério da Fazenda também sinalizou que estuda medidas de resposta, mantendo abertas as possibilidades de negociação com Washington.

 

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