O Ministério de Minas e Energia oficializou nesta quinta-feira (2) a aprovação do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), documento que norteia os rumos do setor energético nacional pelos próximos dez anos. Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o plano estratégico teve sua portaria publicada no Diário Oficial da União, estabelecendo as projeções de expansão e investimentos para o país.
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De acordo com o MME, o plano projeta a evolução da oferta e da demanda de energia no Brasil nos próximos dez anos e servirá como referência para decisões de investimento, formulação de políticas públicas e planejamento dos diferentes segmentos do setor energético.
O PDE 2035 reforça o protagonismo brasileiro na transição energética ao prever a expansão da oferta de energia com manutenção de matrizes energética e elétrica majoritariamente renováveis. O documento também incorpora temas que ganharam centralidade nos últimos anos, como transição energética justa e inclusiva, combate à pobreza energética, adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento da resiliência dos sistemas energéticos.
Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a aprovação do plano reafirma o compromisso do Brasil com um planejamento energético sólido, transparente e alinhado aos desafios de uma economia de baixo carbono. “O plano projeta a expansão da oferta de energia com forte protagonismo das fontes renováveis, ao mesmo tempo em que incorpora temas essenciais como segurança energética, inclusão social, combate à pobreza energética e adaptação às mudanças climáticas. Trata-se de um instrumento fundamental para orientar investimentos, fortalecer a competitividade do país e garantir que o desenvolvimento do setor energético ocorra de forma sustentável, justa e resiliente”, afirmou.
Matriz renovável e expansão da oferta
As projeções do PDE 2035 indicam crescimento contínuo da demanda energética brasileira ao longo da próxima década. O consumo final de energia deve avançar 1,8% ao ano até 2035, impulsionado pela expansão da atividade econômica e pelo aumento do consumo em setores como transportes, indústria, residências, comércio e serviços.
Para atender a essa demanda, a oferta interna de energia deverá crescer 2,3% ao ano. Mesmo com a expansão do consumo, o Brasil deverá manter uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, com participação das fontes renováveis chegando a 51% da oferta interna de energia em 2035.
No setor elétrico, o plano prevê a continuidade do forte protagonismo das fontes renováveis. Em 2035, elas devem responder por mais de 85% da geração elétrica nacional, com destaque para a expansão da energia solar e eólica e para o crescimento da geração distribuída.
A capacidade instalada de geração elétrica do Brasil deverá passar dos atuais 255 GW para aproximadamente 367 GW em 2035, um acréscimo de cerca de 110 GW em dez anos. Segundo o governo, essa expansão ocorrerá majoritariamente por meio de fontes renováveis, reforçando a posição brasileira na construção de uma economia de baixo carbono.
R$ 3,5 trilhões em investimentos
O PDE 2035 sinaliza investimentos da ordem de R$ 3,5 trilhões no horizonte decenal, abrangendo diferentes segmentos do setor energético. Os recursos devem contribuir para ampliar a infraestrutura, atender à demanda crescente, gerar emprego e renda e fortalecer a competitividade do Brasil em um cenário global marcado pela transformação energética.
Um dos pontos centrais do plano é o aprofundamento das análises sobre transição energética justa e inclusiva. Em alinhamento com a Política Nacional de Transição Energética (PNTE) e com o Plano Nacional de Transição Energética (Plante), o documento aborda temas como geração de empregos verdes, requalificação profissional, desenvolvimento regional, participação social e proteção de populações mais vulneráveis.
O plano também trata do enfrentamento da pobreza energética como desafio essencial para o desenvolvimento sustentável. Embora o acesso físico à energia elétrica esteja praticamente universalizado no país, o PDE destaca a necessidade de ampliar o acesso econômico à energia e garantir que seus benefícios sejam distribuídos de forma mais ampla pela sociedade brasileira.
Na avaliação do governo, a transição energética não pode ser apenas tecnológica ou ambiental. Ela precisa ser também social, capaz de reduzir desigualdades, ampliar oportunidades e assegurar que populações de menor renda participem dos ganhos gerados pela modernização do setor.
Consulta pública recebeu 846 contribuições
O ciclo de elaboração do PDE 2035 começou no fim de 2024 e contou com participação social por meio da Consulta Pública nº 214/2026, realizada entre 12 de fevereiro e 30 de março de 2026. Ao todo, foram recebidas 846 contribuições de 62 instituições representativas de diferentes segmentos da sociedade.
Todas as contribuições foram analisadas pelas equipes técnicas da EPE, resultando em revisões e aperfeiçoamentos do conteúdo final do plano. Segundo o MME, o processo reforça o compromisso do Governo do Brasil e da EPE com um planejamento energético transparente, participativo e baseado em evidências técnicas.
Além do relatório final, o processo de elaboração do PDE 2035 incluiu a publicação de 15 cadernos temáticos, estudos e documentos complementares. O objetivo foi ampliar a transparência e o acesso às informações que fundamentam o planejamento energético nacional.
Com o PDE 2035, o Brasil busca combinar expansão da oferta, segurança energética, competitividade econômica, inclusão social e liderança renovável. O plano consolida a energia como um dos eixos estratégicos do desenvolvimento nacional na próxima década.
Crédito: Brasil 247
