Gastos da União se aproximam do recorde histórico e especialistas alertam para pressão sobre contas públicas

Avanço das despesas obrigatórias reduz espaço para investimentos, amplia bloqueios no Orçamento e acende alerta sobre o crescimento da dívida pública

Prédio do governo federal em Brasília, tema de reportagem sobre despesas públicas e bloqueio no Orçamento.
Foto: Reprodução

As despesas do governo federal voltaram a crescer e se aproximam do maior nível já registrado no país. Dados divulgados na última segunda-feira (29) mostram que os gastos da União alcançaram R$ 2,633 trilhões no acumulado dos últimos 12 meses até maio, ficando R$ 189,5 bilhões abaixo do recorde histórico de R$ 2,822 trilhões, registrado em novembro de 2020, durante a pandemia de Covid-19.

O aumento das despesas é impulsionado, principalmente, pelos gastos obrigatórios, com destaque para os benefícios previdenciários e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Apenas a Previdência Social consumiu R$ 1,117 trilhão no período de 12 meses encerrado em maio, mais que o dobro do desembolso com servidores públicos, que somou R$ 440,1 bilhões.

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Com a pressão sobre as contas públicas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou o bloqueio de recursos do Orçamento para R$ 23,7 bilhões. As projeções do segundo bimestre apontam um aumento de R$ 14,1 bilhões nas despesas com o BPC e de R$ 11,5 bilhões nos benefícios previdenciários.

O bloqueio orçamentário é utilizado pela equipe econômica para garantir o cumprimento das regras fiscais. O atual arcabouço limita o crescimento real das despesas a até 2,5% ao ano, enquanto o governo mantém a meta de alcançar um superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

Em abril, a dívida pública federal atingiu R$ 8,798 trilhões, alta de 1,91% em relação ao mês anterior, valor equivalente a quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB).

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