A decisão da Prefeitura de Cabedelo de iniciar o processo de rompimento contratual com a empresa Lemon tem gerado preocupação sobre os impactos econômicos e institucionais para o município. Em entrevista, o economista Alexandre Nascimento afirmou que a crise pode provocar insegurança jurídica e abalar a confiança de investidores interessados na cidade.
Segundo ele, Cabedelo vive um momento de forte crescimento econômico nos últimos anos, impulsionado por investimentos privados, modernização do Porto de Cabedelo e novos projetos estratégicos, como iniciativas ligadas ao hidrogênio verde. Apesar disso, o cenário atual cria um ambiente de incerteza.
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“Cabedelo ganhou uma importância econômica muito forte recentemente. Mas diante dos fatos divulgados nacionalmente, o município perde algo fundamental, que é a previsibilidade institucional”, afirmou.
O economista destacou que episódios envolvendo suspeitas de irregularidades administrativas, fraudes licitatórias e sucessivos aditivos contratuais elevam o chamado risco reputacional. Para ele, isso faz com que empresas e grupos econômicos passem a analisar com mais cautela futuros investimentos na cidade.
Alexandre ponderou, porém, que o rompimento do contrato não representa necessariamente um problema, desde que ocorra com planejamento técnico e respaldo jurídico. “Quando um rompimento é feito com controle, transparência e uma transição organizada, ele pode até representar uma medida de saneamento institucional”, explicou.
O especialista ressaltou que a maior preocupação está ligada às investigações em andamento e às suspeitas de infiltração do crime organizado em atividades administrativas do município. Na avaliação dele, esse contexto amplia a percepção de risco entre investidores e empresários.
“Hoje as grandes empresas trabalham muito com governança, auditoria e compliance. Quando existe instabilidade política ou suspeitas dessa natureza, naturalmente o investidor fica mais receoso”, disse.
Além da repercussão institucional, Alexandre Nascimento alertou para possíveis reflexos econômicos e sociais. Segundo ele, contratos públicos movimentam uma cadeia extensa de setores, incluindo empresas terceirizadas, fornecedores, transportes, serviços de manutenção, alimentação e pequenos empreendedores que dependem indiretamente dessas atividades.
Com a instabilidade, empresas tendem a reduzir investimentos, adiar contratações e atuar com maior cautela financeira. “A cidade passa a carregar uma espécie de taxa invisível de desconfiança”, avaliou.
O economista também afirmou que pequenos empresários costumam sentir primeiro os efeitos desse tipo de crise. Isso porque a insegurança sobre o futuro econômico acaba impactando diretamente o consumo, a circulação de dinheiro e a manutenção de empregos.
Apesar das preocupações, Alexandre defendeu cautela ao analisar os possíveis desdobramentos econômicos. Para ele, Cabedelo ainda mantém fundamentos sólidos, como localização estratégica, forte atividade turística e um dos principais portos do Nordeste.
“Não dá para afirmar que a cidade entrará em desaceleração econômica. Os fundamentos continuam fortes. Mas se essa crise se prolongar, o risco aumenta”, pontuou.
O economista elogiou ainda a postura adotada pela gestão interina e pela Procuradoria do Município ao defenderem uma transição gradual, evitando interrupções bruscas nos serviços públicos e preservando empregos.
Também afirmou que o momento exige transparência, responsabilidade institucional e proteção aos trabalhadores. “Cabedelo precisa transformar essa crise em uma virada institucional. O desenvolvimento econômico não depende apenas de praia bonita e porto forte. Depende também de segurança jurídica, governança e instituições responsáveis”, concluiu.
