A proposta do Tauá João Pessoa, resort do Grupo Tauá que será aberto em 1 de julho na capital paraibana, vai além da hospitalidade tradicional. O novo espaço aposta na construção de uma experiência imersiva, onde arquitetura, cultura e território se entrelaçam. Para dar forma a esse conceito, o projeto contou com o trabalho de Vânia Marcelo, CEO e arquiteta na IMAGIC – Arquitetura de Conteúdo, empresa que promete transformar espaços em narrativas vivas, capazes de comunicar identidade e gerar conexão com o público.
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.
Nesta entrevista que segue, Vânia Marcelo detalha como a cultura paraibana serviu de base para as decisões arquitetônicas e revela como o artesanato, a luz natural e as tradições locais foram incorporadas ao Tauá João Pessoa. O resultado é um projeto que valoriza a autenticidade regional e propõe uma vivência sensorial alinhada às características únicas do destino. Confira:
O projeto do Tauá João Pessoa busca refletir a identidade local. Quais referências da cultura e da arquitetura da Paraíba foram incorporadas e como elas influenciaram as decisões de projeto?
VM: O valor do patrimônio cultural da Paraíba é indiscutível. Estamos falando de um cenário de belezas naturais exuberantes, com sol intenso, mar azul e um povo alegre e acolhedor. É a terra do São João, da literatura de cordel, do forró e do xaxado, das esculturas em barro e de construções que carregam marcas históricas desde o período colonial. Para traduzir essa riqueza, nós da IMAGIC, utilizamos ferramentas da Arquitetura do Conteúdo, que é uma marca registrada nossa, com o objetivo de transformar essa diversidade em experiências marcantes para o hóspede. Incorporamos materiais, cores e símbolos tradicionais da região, como paredes que reproduzem a taipa de areia colorida no lobby principal, revestimentos em pedra moledo e madeira nativa, além de tons terrosos e elementos como o mandacaru. O design privilegia a autenticidade, com mobiliário em madeira, couro e fibras naturais, dialogando com peças que são verdadeiros tesouros paraibanos, como a renda renascença, o macramê, o artesanato em palha e esculturas em barro que retratam o cotidiano e o folclore local. O resultado é um convite para vivenciar uma experiência única no Tauá João Pessoa.
João Pessoa é onde o sol nasce primeiro nas Américas. Como esse elemento foi explorado na arquitetura do projeto?
VM: A presença do sol em João Pessoa não é apenas um dado geográfico, mas um elemento central da identidade local. No Tauá João Pessoa, tratamos essa luz intensa, junto à vista para o mar, como pilares fundamentais do projeto. A proposta priorizou a integração com a natureza, o que exigiu estratégias para aproveitar a luz natural sem comprometer o conforto térmico. Isso se traduz em grandes vãos que permitem a entrada do “primeiro sol” nos espaços comuns, conectando o hóspede ao entorno desde o início do dia. Além disso, utilizamos uma paleta de cores claras, inspirada nas areias e falésias da região, valorizamos a ventilação natural vinda do oceano, adotamos pé-direito alto, janelas amplas e beirais generosos. É uma arquitetura que não se protege do sol, mas dialoga com ele para criar uma experiência única.
Você teve contato com o artesanato paraibano durante o desenvolvimento do projeto? O que mais a encantou?
VM: Sim, o primeiro passo foi uma pesquisa aprofundada para compreender o território, sua história e suas características. Já conhecíamos João Pessoa pelas praias e pela hospitalidade, mas mergulhamos ainda mais na cultura local durante o desenvolvimento do projeto. O artesanato paraibano é extremamente rico e diverso. Incorporamos materiais, cores e símbolos tradicionais com destaque para fibras naturais, bordados e elementos em barro. O que mais encanta é justamente essa autenticidade e a capacidade de traduzir o cotidiano e a identidade cultural em peças únicas.
Em um cenário onde muitos resorts tendem à padronização, como imprimir uma identidade genuinamente paraibana ao Tauá João Pessoa?
VM: Nossa atuação em Arquitetura do Conteúdo combina entretenimento, marketing e arquitetura para criar projetos com identidade própria. O objetivo é usar o espaço físico como meio de comunicação e diferenciação. O Tauá João Pessoa está em um local privilegiado, sobre uma falésia, com vista para o mar e cercado por uma reserva ambiental. A proposta foi justamente potencializar esse contexto, criando um destino autêntico. O projeto tem como diretriz integrar lazer e cultura, estabelecendo um vínculo entre o resort e o território. Os ambientes são um tributo às cores e construções tradicionais da cidade, utilizando materiais locais e elementos que valorizam o artesanato, a gastronomia e os costumes paraibanos.
A inclusão é um dos pilares do Tauá. Como esse conceito foi aplicado na prática no projeto?
VM: A inclusão foi pensada além das normas técnicas, como parte da hospitalidade. O objetivo foi criar espaços utilizáveis por todas as pessoas, de forma integrada. O terreno apresentava desníveis significativos, mas adotamos soluções que garantem acessibilidade plena. As áreas comuns contam com rampas de inclinação suave integradas ao paisagismo, evitando percursos alternativos. As piscinas possuem elevadores hidráulicos, permitindo uso assistido ou autônomo. Também projetamos suítes adaptadas, com áreas de circulação amplas, banheiros com barras de apoio e mobiliário acessível, mantendo o mesmo padrão estético das demais unidades. Além disso, criamos áreas de descanso ao longo dos percursos, pensando especialmente no conforto de idosos e famílias, considerando a extensão do resort.