Alta nos custos da construção pressiona setor e pode encarecer imóveis no Brasil

Reajustes em materiais e impacto da guerra no Irã levam construtoras a adiar obras e rever projetos

Foto: Reprodução

O aumento nos preços de combustíveis e insumos, influenciado pela guerra no Irã, já começa a refletir diretamente na construção civil brasileira. O cenário tem elevado os custos de obras e pode resultar tanto no adiamento de projetos quanto na alta do valor dos imóveis nos próximos meses.

Levantamento do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo indica reajustes recentes em materiais essenciais. O cimento acumulou alta de 12% no fim de março, com novo aumento de 10% anunciado em abril. Já o aço registrou elevação de 8%, impactando itens como vergalhões e chapas.

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Produtos importados também sofreram forte pressão. Insumos como resinas e polímeros, utilizados em tubos e conexões, chegaram a registrar aumento de até 100% no início do mês, impulsionados pela valorização do petróleo e por entraves logísticos no comércio internacional.

Apesar desse cenário, o impacto ainda não foi totalmente incorporado ao Índice Nacional de Custo da Construção, calculado pela Fundação Getúlio Vargas. A expectativa, no entanto, é de que os próximos levantamentos já apontem avanço significativo nos custos.

Diante da elevação de preços, construtoras avaliam desacelerar obras em andamento ou adiar novos empreendimentos. Empresas com maior margem de prazo tendem a postergar a compra de materiais, na tentativa de evitar prejuízos em um momento de instabilidade.

O efeito pode ser mais intenso nos empreendimentos voltados à classe média, segmento que já enfrenta queda na demanda devido às taxas de juros elevadas. Com custos mais altos, muitos projetos podem deixar de ser viáveis financeiramente.

Na habitação popular, especialmente em iniciativas como o programa Minha Casa Minha Vida, o impacto recai diretamente sobre as construtoras. Como os contratos não permitem reajustes após a venda na planta, a alta dos insumos reduz as margens de lucro das empresas.

A tendência, segundo o setor, é de repasse desses custos ao consumidor final, o que deve tornar os imóveis novos mais caros no país ao longo dos próximos meses.

 

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