O ouro alcançou um patamar inédito no mercado internacional ao ultrapassar os US$ 5 mil por onça troy, equivalente a cerca de R$ 26,4 mil para 31,1 gramas, pela primeira vez na história. A marca consolida uma trajetória de forte valorização em 2025, ano em que o metal já acumula alta superior a 60%.
A disparada ocorre em um cenário de crescente instabilidade internacional. As recentes tensões envolvendo Estados Unidos e Otan em torno da Groenlândia elevaram o nível de incerteza no ambiente econômico e geopolítico global, estimulando a busca por ativos considerados mais seguros.
Outro fator de pressão vem da política comercial do presidente norte-americano Donald Trump. No fim de janeiro, ele ameaçou aplicar tarifas de importação de até 100% sobre produtos canadenses caso o país avance em acordos comerciais com a China, o que aumentou a apreensão dos mercados.
Tradicionalmente visto como proteção em períodos turbulentos, o ouro voltou ao centro das atenções dos investidores. O movimento também se estendeu a outros metais preciosos: a prata atingiu US$ 100 a onça pela primeira vez, somando-se à valorização de quase 150% registrada no ano anterior.
Fatores econômicos que sustentam a alta
Além do cenário político, fatores econômicos vêm sustentando a alta demanda. A inflação acima da média histórica, a desvalorização do dólar, compras expressivas feitas por bancos centrais e a expectativa de novos cortes de juros pelo Federal Reserve ajudam a explicar a escalada dos preços.
Grande parte do mercado aposta que o banco central dos Estados Unidos reduzirá sua taxa básica de juros duas vezes em 2026. Juros mais baixos tendem a diminuir a atratividade de títulos públicos, abrindo espaço para ativos como ouro e prata.
Conflitos armados e riscos globais
Conflitos armados, como as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, além do agravamento das relações entre Washington e Caracas, também contribuíram para reforçar a percepção de risco global. O desempenho de 2025 já é considerado histórico. Trata-se do maior avanço anual do ouro desde 1979, impulsionado ainda pelo temor de que ações ligadas à inteligência artificial estejam supervalorizadas e pelas incertezas em torno das políticas comerciais dos Estados Unidos.
Segundo o Conselho Mundial do Ouro, cerca de 216 mil toneladas já foram extraídas ao longo da história, volume que caberia em apenas três ou quatro piscinas olímpicas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que restem aproximadamente 64 mil toneladas a serem exploradas, com tendência de estabilização da oferta nos próximos anos.

Foto: Akos Stiller/Bloomberg
Atuação dos bancos centrais
Bancos centrais também têm papel relevante nesse movimento. No último ano, instituições monetárias acumularam centenas de toneladas de ouro em suas reservas, numa estratégia de diversificação e redução da dependência do dólar, de acordo com o Conselho Mundial do Ouro.
Além do aspecto financeiro, o ouro mantém forte valor cultural. Em países como Índia e China, o metal é tradicionalmente adquirido em festivais e celebrações. Segundo o Morgan Stanley, famílias indianas detêm cerca de US$ 3,8 trilhões em ouro, o equivalente a quase 89% do PIB do país. Já na China, maior mercado consumidor do mundo, a demanda costuma crescer próximo ao Ano Novo Chinês, que em 2026 marca o início do Ano do Cavalo.