O vereador de João Pessoa Bruno Farias afirmou que as denúncias apresentadas pela campanha de Cícero Lucena sobre uma suposta estrutura de compra de votos por meio de uma plataforma digital exigem uma resposta da Justiça Eleitoral. Em entrevista, o parlamentar classificou as acusações como graves e disse que o caso apontaria para uma estrutura organizada de captação ilícita de votos em favor da candidatura de Lucas Ribeiro.
Segundo Bruno, a denúncia apresentada pelo advogado Walter Agra, integrante da campanha de Cícero, aponta a existência de 1.596 colaboradores cadastrados em uma plataforma digital. O vereador afirmou que 337 pessoas já teriam sido identificadas como integrantes do Governo da Paraíba, informação que, segundo ele, estaria entre os elementos apresentados pela campanha e pelas investigações.
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Vereador descreve suposto funcionamento da plataforma
Na entrevista, Bruno Farias afirmou que os colaboradores seriam responsáveis por visitar eleitores e identificar suas preferências eleitorais e eventuais necessidades pessoais.
De acordo com o relato do vereador, quando o eleitor declarava não votar em Lucas Ribeiro, o colaborador perguntaria qual necessidade poderia ser atendida. Bruno citou como exemplos pedidos de tijolos, gás, exames, consultas, cirurgias, pagamento de contas e dinheiro em espécie.
Ainda segundo o parlamentar, as informações seriam inseridas na plataforma e encaminhadas para um setor denominado por ele como “setor de demandas”. Posteriormente, outro perfil, chamado de “entregador”, faria uma nova visita ao eleitor para atender à demanda registrada.
Bruno afirmou que uma segunda abordagem seria realizada para verificar a intenção de voto e que, segundo os dados mencionados por ele, parte dos eleitores teria mudado de posição após o atendimento das demandas.
Bruno cita 8,5 mil visitas em cinco dias
O vereador também afirmou que, entre 30 de agosto e 3 de setembro, teriam sido realizadas 8.526 visitas por integrantes da estrutura descrita na denúncia.
Segundo Bruno, mais de 2 mil pessoas teriam mudado a intenção de voto após o atendimento das demandas.
O parlamentar também declarou que os 337 servidores públicos que, segundo ele, já teriam sido identificados na denúncia receberiam, juntos, aproximadamente R$ 2 milhões em salários.
A transcrição da entrevista não apresenta documentos ou dados oficiais que permitam verificar, de forma independente, os números citados pelo vereador.
Parlamentar cobra atuação da Justiça Eleitoral
Bruno Farias afirmou que o caso exige uma resposta rápida da Justiça Eleitoral e classificou a denúncia como um dos maiores casos de compra de votos já registrados no país.
“É preciso uma resposta rápida, segura e eficiente por parte da Justiça Eleitoral”, afirmou.
As declarações ocorrem em meio à disputa pelo Governo da Paraíba e aos desdobramentos de operações e investigações que atingiram integrantes da administração estadual e passaram a repercutir no debate eleitoral.
Bruno critica reação atribuída a Lucas Ribeiro
Durante a entrevista, o vereador também comentou a reação do governador Lucas Ribeiro diante das denúncias apresentadas pela campanha adversária.
Bruno afirmou que não se surpreendeu com o comportamento atribuído ao governador e comparou a postura a uma suposta característica de organizações criminosas.
Ao fazer a comparação, citou o filme “O Poderoso Chefão” e afirmou que líderes de máfias retratadas na produção demonstrariam insensibilidade diante de denúncias.
“Não me estranhou. As máfias, as máfias digitais, inclusive, atuam dessa forma. Quando são interpeladas, quando são interrogadas, não esboçam qualquer tipo de reação. A pálpebra nem se mexe, o rosto fica intacto. Isso era assim como ocorria nas máfias de antigamente. Quem assistiu O Poderoso Chefão, por exemplo, vai ver, o líder, ele era insensível a qualquer tipo de denúncia. Geralmente, era um Mauricinho, geralmente era um almofadinha”,