Paraíba lidera busca de empresas por crédito no Nordeste com alta de 19,6%, aponta Serasa

Paraíba lidera busca de empresas por crédito no Nordeste com alta de 19,6%. Veja dados da Serasa no WSCOM
(Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil)

A Paraíba liderou a busca de empresas por crédito no Nordeste no acumulado de 12 meses encerrado em agosto, registrando uma alta de 19,6%. Segundo dados do Indicador da Serasa Experian, o crescimento da demanda no estado ficou bem acima da média da região, superando vizinhos como Alagoas (13,7%) e Pernambuco (13,4%).

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Visão nacional

A busca das empresas brasileiras por recursos financeiros registrou crescimento de 11,2% no acumulado dos últimos 12 meses até agosto. Na análise por porte, as micro e pequenas empresas (MPEs) apresentaram a maior variação, de 11,4%. Na sequência, aparecem as grandes empresas (8,1%) e as médias (4,9%).

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o avanço ocorre em um cenário no qual o crédito permanece importante para a gestão financeira das empresas, apesar das condições restritivas.

“A procura por crédito continua sendo impulsionada pela necessidade de gestão de caixa das empresas. Em um ambiente de juros elevados, desaceleração da atividade e inadimplência recorde, muitas companhias, sobretudo as pequenas e médias, têm recorrido a financiamento para administrar o descasamento entre o ciclo de recebimentos e as despesas operacionais, pressionando a demanda por recursos de curto prazo.” explica.

A economista acrescenta que “ao mesmo tempo, a dinâmica da oferta começa a mostrar uma acomodação menos intensa. A concessão de crédito às empresas, que vinha desacelerando de forma expressiva diante da deterioração dos indicadores de risco e do elevado custo financeiro, passou a encontrar algum suporte nas operações de capital de giro de curto prazo amparadas por fundos garantidores. Esses mecanismos ajudam a mitigar parte do risco das instituições financeiras e contribuem para preservar o acesso ao crédito em um ambiente que permanece desafiador para empresas e credores.”

Serviços lideraram crescimento da demanda por crédito

Na análise por setores, todas as categorias registraram crescimento no acumulado dos últimos 12 meses até agosto. “Serviços” apresentou a maior variação, de 17,0%, seguido pela “Agropecuária” (16,2%), “Indústria” (8,4%) e “Comércio” (6,8%).

“O crescimento mais intenso em Serviços e Agropecuária ocorre em segmentos com dinâmicas bastante distintas, o que reforça o caráter disseminado da procura por crédito. Ao mesmo tempo, esse avanço precisa ser analisado em um ambiente no qual o custo financeiro permanece elevado e a economia apresenta sinais mais claros de desaceleração. Nesse contexto, o acesso a recursos continua importante tanto para financiar a atividade quanto para administrar necessidades de caixa ao longo do ciclo operacional”, analisa Camila.

Mato Grosso do Sul lidera avanço entre os estados

Na análise por Unidades Federativas (UFs), todas registraram crescimento da procura empresarial por crédito no acumulado dos últimos 12 meses até agosto. Mato Grosso do Sul (25,5%) apresentou a maior variação do país, seguido por Roraima (21,4%) e Paraíba (19,6%). Na sequência aparecem Distrito Federal (14,5%) e Mato Grosso (14,1%). Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Rio de Janeiro (3,4%), Espírito Santo (6,7%) e Santa Catarina (7,6%).

Variação anual cresce 5,3%

Na comparação entre agosto de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda das empresas por crédito registrou alta de 5,3%. Entre os portes, as micro e pequenas empresas cresceram 5,7%, seguidas pelas grandes (2,2%), enquanto as médias empresas apresentaram retração de 7,5%. Na análise por setores, a “Agropecuária” apresentou a maior variação anual, de 13,8%, seguida por “Serviços” (11,3%), “Comércio” (1,3%) e “Indústria” (0,3%).

“A diferença entre os resultados mostra a importância de observar os recortes em conjunto. Enquanto o acumulado em 12 meses captura uma trajetória mais longa e mostra uma demanda por crédito ainda sustentada, a variação anual é mais sensível ao comportamento recente e às bases de comparação. O avanço de 5,3% em agosto, após uma alta mais intensa em julho, indica uma acomodação na comparação interanual, mas não uma reversão da procura por crédito. O cenário segue sendo de empresas recorrendo a recursos financeiros, ainda que em um ambiente de concessão mais seletiva e atividade econômica em desaceleração”, conclui a economista-chefe da datatech.

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