Com 334,6 mil pessoas com deficiência (8,6% da população), a Paraíba ocupa a 7ª posição entre as unidades da Federação, alinhada à média do Nordeste, que registra o maior percentual do país segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O dado integra o recorte temático Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, segunda edição da publicação do IBGE que reúne informações do Censo Demográfico 2022, da Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios, da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) e do Censo Escolar, entre outras fontes, divulgado pelo Instituto nesta sexta-feira (18).
Pessoas com deficiência são definidas pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015) como aquelas que têm “impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”.
As mulheres eram maioria entre as pessoas com deficiência na Paraíba: 57,5% do total (192,4 mil), enquanto os homens representavam os 42,5% restantes (142,2 mil). No que se refere à cor ou raça, 51,7% das pessoas com deficiência se declararam pardas (173,1 mil pessoas), seguidas pelas brancas (124,7 mil, ou 37,3%), pretas (33,4 mil, ou 10,0%), indígenas (2,8 mil, ou 0,8%) e amarelas (509 pessoas, ou 0,2%).
Ao se examinar a prevalência da deficiência dentro de cada grupo de cor ou raça, a Paraíba apresentou padrão semelhante ao observado no Nordeste e no Brasil, com diferenças importantes de magnitude. Entre os indígenas, 11,1% tinham alguma deficiência no estado, proporção superior à registrada no Nordeste (9,4%) e no Brasil (6,6%). Entre os pretos, a prevalência foi de 10,5%, acima da média nordestina (9,9%) e nacional (8,6%). Entre os brancos, o percentual alcançou 9,1%, mesma taxa observada no Nordeste e superior à nacional (7,1%).
Entre os pardos, a Paraíba registrou prevalência de 8,0%, ligeiramente inferior à do Nordeste (8,1%) e superior à observada no Brasil (7,2%). Já entre os amarelos, o percentual foi de 9,7%, abaixo da média nordestina (10,7%) e acima da nacional (6,6%). Os resultados mostram que a incidência da deficiência não se distribui de forma homogênea entre os diferentes grupos raciais e étnicos.
Na Paraíba, a prevalência da deficiência cresce de forma expressiva com o avanço da idade. Entre crianças de 2 a 9 anos, 2,14% apresentam alguma deficiência, proporção que sobe para 3,37% na faixa de 10 a 17 anos e para 3,87% entre jovens de 18 a 29 anos. A partir dos 30 anos, o crescimento se intensifica: 4,32% das pessoas de 30 a 39 anos têm deficiência, percentual que alcança 10,10% entre aquelas de 40 a 59 anos. O salto mais significativo ocorre entre os idosos: entre as pessoas com 60 anos ou mais, 24,56% possuem alguma deficiência, mais de dez vezes a proporção observada entre crianças de 2 a 9 anos.
O resultado é semelhante ao verificado no Nordeste (24,82%), mas superior à média nacional (20,29%), indicando que o envelhecimento populacional se combina, na Paraíba, com uma incidência de deficiência ligeiramente mais elevada que a média brasileira entre os grupos mais velhos.
Limitação visual atinge cerca de 178 mil paraibanos com deficiência
Entre os tipos de dificuldade funcional investigados pelo Censo, a mais prevalente na Paraíba foi a dificuldade para enxergar, mesmo com o uso de óculos ou lentes de contato, afetando aproximadamente 178 mil das 334,6 mil pessoas com deficiência residentes no estado. A dificuldade para andar ou subir degraus, mesmo com prótese ou outro aparelho de auxílio, atingia 124,3 mil pessoas.
As limitações nas funções mentais, que afetam a comunicação, os cuidados pessoais, o trabalho ou o estudo, alcançavam 64,4 mil pessoas, enquanto as dificuldades de destreza manual, como pegar objetos pequenos ou abrir e fechar tampas, envolviam cerca de 63 mil pessoas. A dificuldade para ouvir, mesmo com o uso de aparelhos auditivos, era registrada em 56,6 mil paraibanos. É importante destacar que a soma dessas ocorrências supera o total de pessoas com deficiência, uma vez que parte da população apresenta mais de uma dificuldade funcional simultaneamente.
