Flávio Bolsonaro tem maior rejeição entre presidenciáveis em pesquisa BTG/Nexus

Senador registra 50% de rejeição, enquanto Lula aparece com 48%; presidente lidera cenário de primeiro turno, mas há empate técnico entre os dois no segundo

A “tática diversionista” adotada pelo candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, para tentar desviar a atenção de seu envolvimento no caso Dark Horse dificilmente produzirá os efeitos que deseja. Passados mais de três meses desde a revelação de seu pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente destinado ao financiamento de um filme biográfico sobre seu pai, e diante da ausência, até agora, de documentação capaz de demonstrar de forma convincente a aplicação dos R$ 61 milhões recebidos, o candidato responde às indagações dizendo que o assunto é “página virada” e que quem deve prestar contas é Lula. Siga o canal do WSCOM no Whatsapp. Como assim? O que o presidente Lula tem a ver com as questões que envolvem Flávio Bolsonaro? Recorre-se, mais uma vez, à velha estratégia de responder às acusações dirigindo a pergunta para outro lado: “E o Lula?”. É como se a simples menção ao presidente fosse suficiente para apagar as dúvidas existentes. Não é. O assunto não pode ser considerado página virada enquanto permanecerem sem respostas perguntas fundamentais. O romance ainda está nas primeiras páginas, e há muito conteúdo a ser conhecido. Talvez seja justamente isso que incomode: a possibilidade de que as páginas seguintes revelem informações que não sejam bem recebidas por aqueles que defendem o candidato. As questões continuam à espera de esclarecimentos. Qual foi o roteiro do dinheiro recebido? Como os recursos foram efetivamente aplicados? Por que parte do dinheiro teria sido enviada para uma conta nos Estados Unidos administrada por um advogado ligado a seu irmão, que enfrenta problemas com a Justiça ? São perguntas que não podem ser respondidas simplesmente com um “e o Lula?”. Quem pretende disputar o mais importante cargo da República precisa assumir a responsabilidade de esclarecer fatos que lhe dizem respeito. A candidatura exige, além de discursos e promessas, transparência e disposição para prestar contas. Enquanto essas perguntas permanecerem sem respostas convincentes, a chamada “página virada” continuará aberta. A tática diversionista, portanto, não resolve o problema. Apenas tenta mudar o foco daquilo que realmente precisa ser esclarecido.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) registra o maior índice de rejeição entre os nomes avaliados na pesquisa presidencial BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (14). De acordo com o levantamento, 50% dos entrevistados afirmam que não votariam no parlamentar, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 48%.

A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro da pesquisa, também de dois pontos para mais ou para menos. Com isso, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados no índice de rejeição.

Em relação à rodada anterior, Flávio manteve os mesmos 50%. Já Lula apresentou uma oscilação negativa de um ponto percentual.

Na sequência aparecem Renan Santos (Missão), com 43% de rejeição; Romeu Zema (Novo), com 42%; Ronaldo Caiado (PSD), com 39%; e Augusto Cury (Avante), com 33%.

Embora tenha o menor índice entre os candidatos avaliados, Cury registrou crescimento de quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, quando marcava 29%.

Lula concentra maior número de eleitores com voto exclusivo

O levantamento também avaliou o nível de definição dos eleitores em relação às candidaturas de Lula e Flávio.

Entre os entrevistados, 38% afirmam que Lula é o único candidato em quem votariam. Outros 12% dizem que poderiam escolher o presidente, mas também consideram votar em outro nome.

No caso de Flávio Bolsonaro, 30% apontam o senador como única opção de voto, enquanto 18% afirmam que poderiam votar nele, mas também analisam outras candidaturas.

Os resultados mostram uma maior consolidação do eleitorado de Lula nesse quesito. Apesar disso, a rejeição dos dois permanece tecnicamente empatada.

Lula chega a 42% no primeiro turno

No cenário de primeiro turno, Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro. O presidente alcançou 42% das intenções de voto, três pontos percentuais acima do resultado registrado na rodada anterior.

Flávio também cresceu, passando de 35% para 37%. A diferença entre os dois candidatos chegou, portanto, a cinco pontos percentuais, acima da margem de erro.

Augusto Cury aparece na terceira colocação, com 6%, após cair de 9%. Ronaldo Caiado vem logo depois, com 5%, ante 4% no levantamento anterior.

Lula e Flávio ficam separados por um ponto no segundo turno

Em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o cenário é de empate técnico. O petista aparece com 47%, enquanto o senador registra 46%.

A vantagem de Lula também é pequena diante de Augusto Cury: o presidente tem 45%, contra 42% do escritor. O resultado está dentro da margem de erro.

Nos demais confrontos, Lula apresenta diferenças maiores.

Contra Ronaldo Caiado, o presidente soma 47% das intenções de voto, enquanto o ex-governador de Goiás tem 41%. Na pesquisa anterior, o placar era de 46% a 43%.

Em uma eventual disputa com Romeu Zema, Lula registra 49%, contra 38% do ex-governador de Minas Gerais.

Já contra Renan Santos, o presidente aparece com 48%, enquanto o candidato do Missão alcança 37%.

Pesquisa ouviu 2.003 eleitores

A 14ª rodada da pesquisa presidencial foi realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, da FSB Holding, a pedido do BTG Pactual.

Foram entrevistados 2.003 eleitores por telefone entre os dias 11 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04076/2026.

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