Vorcaro diz que delação teria foco em integrantes do governo e não cita financiamento de filme sobre Bolsonaro

Ex-dono do Banco Master afirmou ao STF que pretendia relatar supostas irregularidades envolvendo pessoas ligadas ao atual governo, mas não mencionou relação com produção sobre Jair Bolsonaro

A PF investiga o pagamento de R$ 2 milhões por Daniel Vorcaro a influenciadores para atacarem o Banco Central.
(Foto: Reprodução)

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a proposta de colaboração premiada que pretendia firmar tinha como alvo integrantes do “núcleo do atual governo”. Segundo informações da jornalista Camila Bomfim, do G1, o empresário não detalhou no depoimento suas relações com outras autoridades políticas e também não mencionou seu envolvimento no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os repasses relacionados à produção teriam sido negociados diretamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e candidato à Presidência da República.

O depoimento foi prestado a um juiz auxiliar que acompanha o processo envolvendo o Banco Master no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. A oitiva ocorreu após um pedido da defesa de Vorcaro, que alegou que o empresário estaria sofrendo intimidações e precisava ser ouvido com urgência.

Durante o depoimento, o ex-banqueiro afirmou que suas relações com pessoas ligadas ao governo federal ocorreram como uma forma de se proteger de ataques. Ele declarou ainda que algumas dessas relações teriam ultrapassado limites éticos e legais e que pretendia apresentar essas informações em uma eventual colaboração.

PGR pede arquivamento das declarações

Apesar das acusações feitas por Vorcaro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu, na quarta-feira (2), o arquivamento das denúncias. Para o órgão, o empresário não apresentou elementos concretos capazes de justificar a abertura de novas medidas investigativas.

A PGR avaliou que as declarações não trouxeram fatos suficientemente delimitados nem evidências mínimas que dessem sustentação às alegações apresentadas durante a oitiva.

Vorcaro está preso em Brasília e é apontado pela Polícia Federal como chefe de um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, com prejuízos que podem chegar a R$ 12 bilhões.

No depoimento, ele também afirmou que considera sua prisão uma forma de intimidação para impedir que revelasse informações sobre o caso. Segundo o empresário, o temor de represálias teria contribuído para que desistisse da tentativa de fechar o acordo de colaboração.

A defesa de Vorcaro havia apresentado uma proposta de delação ao Ministério Público em 15 de junho deste ano. O acordo, porém, foi rejeitado diante da avaliação de que não havia novos elementos considerados decisivos para o avanço das investigações. A prisão preventiva do ex-banqueiro foi posteriormente mantida pelo STF.

Vorcaro defende negociação com o BRB

Outro ponto abordado pelo ex-banqueiro foi a negociação envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Vorcaro defendeu a tentativa de fusão entre as instituições e afirmou que a operação poderia ter sido benéfica.

A declaração ocorre em meio às investigações da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades nas operações envolvendo as duas instituições financeiras.

Em abril deste ano, uma das fases da operação resultou na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. De acordo com a Polícia Federal, ele teria autorizado operações sem lastro e sem os mecanismos adequados de governança com o Banco Master.

Estimativas apresentadas pelo próprio BRB apontam que aproximadamente R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Banco Master seriam compostos por títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Os ativos são classificados como de alto risco e podem provocar impactos sobre o patrimônio da instituição pública.

O governo do Distrito Federal informou que pretende recuperar R$ 2,2 bilhões por meio de garantias. Para cobrir o restante dos ativos considerados sem valor, a administração prevê a contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões.

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