O músico Joselio Vasconcelos, integrante do Trio Festejos, criticou nesta sexta-feira (6) os valores pagos aos trios de forró durante o São João de Campina Grande e cobrou maior valorização dos artistas que mantêm a tradição do pé-de-serra no período junino.
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Segundo Joselio, o cachê oferecido para apresentações no Parque do Povo não cobre despesas básicas dos músicos, como impostos, transporte, estacionamento e custos operacionais. Ele afirmou que deixou de se apresentar no local por discordar dos valores praticados.
“Isso não é pagamento para pai de família, não. [O músico] compra um instrumento caro, paga imposto desse valor, que é R$ 950, paga estacionamento de carro ou então paga um motorista para deixar o pessoal em casa, correndo o risco de alta hora da madrugada ser roubado. Isso é imoral”, disse Joselio.
O músico também afirmou que os trios de forró cumprem papel central na sustentação da identidade cultural do São João de Campina Grande, principalmente por representarem o forró tradicional e os artistas do interior.
“Esse é um local que sustenta o forró de Campina Grande. Esse povo que vem do interior, pé-de-serra, pra cá tocam barato porque sabem que não tem outro meio para ganhar dinheiro e é o mês de junho e eles [os organizadores] exploram”, declarou.
Joselio comparou os valores pagos em Campina Grande com cachês que, segundo ele, são praticados em outros estados e cidades. O músico disse que a remuneração oferecida no Parque do Povo não condiz com a estrutura exigida para uma apresentação profissional.
“Na Bahia, já se paga R$ 5 mil por um trio, João Pessoa paga R$ 5 mil, Campina Grande quer pagar R$ 800, R$ 950. Não tem lógica uma coisa dessa. Não tem fundamento de forma alguma. Então, com muito prazer eu digo: vai fazer 16 anos este ano que não toco no Parque do Povo, por essa miséria que estão pagando. Eu sou um profissional, eu estudei música, eu escrevo música e sei fazer a arte. Eu sou um mestre das artes”, afirmou.
