O avanço das discussões sobre o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional tem gerado preocupação em setores da economia paraibana. Durante o I Fórum do Farol de Desenvolvimento da Paraíba, realizado em João Pessoa, o empresário José William Montenegro Leal, sócio-diretor do grupo Conserpa & Enger, criticou a possibilidade de imposição obrigatória da jornada 5×2 para todas as atividades econômicas.
Segundo ele, a construção civil já adota modelos mais flexíveis há décadas, fruto de negociação entre empregadores e trabalhadores.
“O debate está sendo colocado de maneira equivocada. A construção civil já pratica o 5×2 desde a Constituição de 1988 na base do diálogo. Nós não somos contra a flexibilização, mas nós somos contra a imposição de não poder praticar qualquer tipo de jornada diferente da 5×2”, afirmou.
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A discussão ganhou força após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, prometer levar a proposta para votação ainda neste mês de maio. Embora haja reconhecimento sobre os benefícios sociais de uma jornada com mais dias de descanso, representantes do setor produtivo demonstram preocupação com os efeitos econômicos da medida.
José William também destacou possíveis impactos no comércio, especialmente em atividades que funcionam diariamente. “O comércio, hoje, já trabalha sete dias por semana. E não tem ninguém ali obrigado. Pelo contrário. Existem as remunerações extras e as compensações, tudo feito na base do diálogo, com a intermediação das lideranças sindicais”, declarou.
Estudos apresentados durante o fórum apontam que setores como comércio, serviços, construção civil e agroindústria podem registrar aumento significativo nos custos operacionais caso a mudança seja aprovada. Na construção civil, por exemplo, a estimativa é de alta entre 18% e 25% nos custos diretos das obras.

