‘Uber dos fretes’: paraibano de 24 anos cria aplicativo para intermediar mudanças, o MudaJá

“Uber dos fretes”: paraibano de 24 anos cria aplicativo para intermediar mudanças, o MudaJá
(Foto: Reprodução)

A mudança residencial é um desafio que assombra e, ao mesmo tempo, entusiasma milhões de brasileiros anualmente. Uma pesquisa do Datafolha revelou que 28% da população tinha a intenção de mudar de casa em 2025. No entanto, em meio a diversos fatores que envolvem esse processo, a logística é o que mais preocupa a maior parte das pessoas.

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Esse também foi o caso do paraibano Ryan Félix, empreendedor de 24 anos que, em meio a dificuldade para contratar um serviço de mudança, resolveu criar uma solução para esse mercado recheado de gargalos.

“Percebi que existia uma fragmentação muito grande na experiência de contratação. Muitas vezes o cliente depende de indicações, grupos de WhatsApp ou Facebook, sem muita previsibilidade sobre o serviço, enquanto o freteiro precisa buscar constantemente novas oportunidades de trabalho”, revelou o jovem em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM.

Em 2024, Ryan já havia fundado a Noxea Studios, uma empresa de estratégia e conteúdo para marcas. Assim, a partir da sua expertise com empresas somada à inquietação com o mercado, surgiu a MudaJá.

“Depois de identificar essa oportunidade, comecei a desenvolver o primeiro protótipo no domingo. Na segunda-feira à noite, menos de 24 horas depois de iniciar o processo, já tinha uma primeira versão funcional”, contou.

Modelo de negócio

A MudaJá opera como uma intermediadora entre profissionais autônomos com veículo próprio e clientes finais. Sem os custos fixos de gerenciar a frota própria, a empresa foca atualmente em sua implementação inicial em João Pessoa e outros municípios da Região Metropolitana.

O modelo de monetização combina uma taxa de serviço cobrada do contratante a uma comissão decrescente aplicada ao motorista parceiro, enquanto um algoritmo de precificação define a faixa de valor considerando fatores como volume de carga, distância e logística de acesso ao imóvel.

“Nossa receita vem através de uma comissão sobre os serviços realizados e de uma taxa de serviço cobrada do cliente. A comissão padrão prevista ocorre em decréscimo, ou seja, quanto mais o profissional opera pela plataforma, menor o percentual. Isso alinha nosso interesse ao dele, pois crescemos à medida que o motorista volta e constrói carteira com a gente, não somente quando realiza uma corrida ou mudança isolada”, explicou Ryan.

“O objetivo é reunir o máximo possível de informações antes de o profissional aceitar uma solicitação. Isso é importante porque um dos problemas que identificamos nesse mercado é que muitas vezes o freteiro só descobre as reais condições do serviço quando chega ao local. A partir dessas informações, o sistema trabalha com uma estimativa de valor mínimo e máximo. O profissional consegue analisar as condições da solicitação e apresentar sua própria proposta, considerando também seus custos, veículo, ajudantes e tempo necessário para realizar o serviço”, continuou.

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Demanda e aceitação dos profissionais

Como forma de contornar o desafio de liquidez comumente enfrentado por marketplaces, gerado pela necessidade de oferta e demanda de forma simultânea, a empresa resolveu iniciar a operação de forma reduzida apenas na Grande João Pessoa.

“Cara, incrível porque eu tava precisando exatamente dessa ideia […]. Querendo ou não, a gente tem pessoas com necessidade de fretes e elas não sabem como achar a gente, tem OLX e Facebook no caso, mas nenhum direcionado pra frete. […] querendo ou não, a pessoa só quer chegar e encontrar o frete rápido ou uma mudança e é difícil de encontrar”, disse um trabalhador em áudio enviado a Ryan.

“Posicionamos o MudaJá como um canal complementar de captação. Não queremos que o profissional dependa exclusivamente de nós, mas que tenha mais uma oportunidade para ampliar a carteira”, reforçou o empreendedor.

Tecnologia e expansão

A escolha pela tecnologia no-code permitiu testar a viabilidade do produto sem grande aporte financeiro inicial.

“Hoje o MVP tradicional não é mais um diferencial, todo mundo consegue fazer. O risco que assumi foi o de tempo, não de investimento alto em uma ideia não validada”, refletiu Felix.

Com o avanço do projeto, o desenvolvedor Lucas Vasconcelos integrou a sociedade para estruturar a migração do banco de dados, autenticação e camadas de segurança da plataforma. A startup pretende escalar sua infraestrutura à medida que a demanda se consolidar.

Embora o foco imediato esteja no equilíbrio operacional na Paraíba, o plano de longo prazo prevê a ampliação do portfólio e da presença geográfica.

“O MudaJá nasceu das mudanças residenciais, mas o mercado de frete é muito maior. Nossa ambição é construir uma plataforma que vá além da Paraíba com crescimento sustentável”, concluiu o empresário.

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