A Paraíba liderou o crescimento na busca dos consumidores por crédito na região Nordeste nos últimos 12 meses encerrados em junho, registrando um salto de 21,7%. O resultado faz parte do Indicador de Demanda do Consumidor por Crédito da Serasa Experian, que apontou alta em todas as Unidades Federativas nordestinas. No ranking regional, Alagoas (20,4%) e Piauí (20,3%) ocupam a segunda e terceira posições, seguidos por Sergipe (18,9%), Maranhão (18,5%) e Rio Grande do Norte (17,7%)
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Visão nacional
No cenário nacional, a busca dos brasileiros por crédito registrou crescimento de 16,5% no acumulado dos últimos 12 meses até junho. Entre as faixas de renda, os consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos apresentaram a maior alta no período (35,2%). Na sequência apareceram aqueles com renda de até 1 salário mínimo (18,1%), depois de 5 a 10 salários mínimos (16,1%) e acima de 10 salários mínimos (12,9%). Já a faixa de 2 a 5 salários mínimos permaneceu em retração (-1,5%).
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a composição da demanda reforça que o mercado de crédito continua refletindo um ambiente macroeconômico desafiador. “O avanço mais intenso da demanda por crédito entre os consumidores de menor renda mostra que, nesse segmento, a necessidade de acesso ao crédito continua prevalecendo mesmo em um ambiente de custo elevado. Isso reforça que, para muitas famílias, o crédito está menos associado ao consumo discricionário e mais à administração do orçamento doméstico e à manutenção das despesas essenciais”, explica a executiva da datatech.
Demanda por crédito ganhou força em Mato Grosso
Na análise por Unidades Federativas (UFs), a procura por crédito apresentou crescimento em todo o país ao longo dos últimos 12 meses, ainda que em intensidades distintas entre os estados. Mato Grosso (29,9%) liderou o ranking nacional, seguido do Acre (24,8%) e de Roraima (24,4%). Também se destacaram Amapá (22,6%), Mato Grosso do Sul (22,1%) e Rio Grande do Sul (22,1%). Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Distrito Federal (11,4%), Santa Catarina (12,8%) e São Paulo (13,2%).
Variação anual manteve crescimento de dois dígitos
Na comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda por crédito cresceu 14,8%. Entre as faixas de renda, os consumidores com rendimento de 1 a 2 salários mínimos registraram a maior expansão (50,8%), enquanto aqueles com renda de 2 a 5 salários mínimos cresceram 7,4% e os de 5 a 10 salários mínimos, 2,7%. Já as demais faixas apresentaram retração.
Para a economista-chefe da datatech, “as famílias de menor renda tendem a estar mais expostas às modalidades de crédito rotativo, que concentram algumas das taxas de juros mais elevadas do mercado. Em momentos de dificuldade financeira, o peso desses encargos pode comprometer uma parcela significativa da renda disponível, elevando o risco de inadimplência. Esse cenário contribui para uma desaceleração no ritmo das concessões, à medida que as instituições financeiras adotam uma postura mais cautelosa diante do aumento do risco de crédito. Ainda assim, a demanda segue em trajetória de crescimento, evidenciando que, para uma parcela importante dos brasileiros, o crédito continua desempenhando um papel essencial na gestão do orçamento, do fluxo de caixa das famílias e na antecipação da capacidade de consumo para fazer frente às despesas do dia a dia”, conclui Camila.
