O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não revelará como conseguiu deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial de 2026 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), o parlamentar declarou que levará os detalhes da viagem “para o túmulo” e negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros.
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“Como eu cheguei aqui, eu levarei para o túmulo comigo”, afirmou Flávio. Na entrevista, ele sustentou que organizou a própria saída do país e que não contou com a participação de autoridades brasileiras ou estrangeiras. “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, acrescentou.
A versão apresentada pelo senador, entretanto, contrasta com informações publicadas pelo próprio The New York Times. Segundo o jornal, um funcionário da Casa Branca providenciou o jatinho particular que transportou Flávio e sua família até Miami, enquanto a entrada nos Estados Unidos teria sido autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.
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Jornal aponta participação de autoridades americanas
De acordo com a reportagem, a viagem de Flávio Bolsonaro incluiu passagens pela Argentina e pelo Equador antes da chegada aos Estados Unidos, em 28 de outubro.
O jornal também relatou que um dos principais assessores do presidente argentino Javier Milei encontrou-se com o senador em um aeroporto durante o deslocamento.
Apesar das informações sobre a participação de pessoas ligadas aos governos americano e argentino, Flávio negou ter recebido ajuda para organizar a viagem. Ele afirmou que a decisão de deixar o Brasil foi tomada espontaneamente, em conjunto com a esposa.
O parlamentar também evitou responder se pretende pressionar o governo Donald Trump a adotar novas medidas contra o Brasil.
Flávio volta a questionar resultado das eleições
Durante a entrevista, o senador voltou a contestar a vitória de Lula, repetindo acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas. Flávio classificou o resultado como “matematicamente impossível” e criticou os gastos do governo durante a campanha presidencial.
O parlamentar também atacou o movimento digital que contribuiu para ampliar o apoio ao presidente Lula durante o segundo turno e voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.
As alegações foram rejeitadas pelas autoridades eleitorais, e o resultado da eleição foi reconhecido por diferentes países e observadores internacionais.
Senador diz acreditar que será preso
Na conversa com o jornal americano, Flávio Bolsonaro também falou sobre as investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Ele reafirmou sua inocência e atribuiu motivações políticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
O senador afirmou acreditar que o desfecho das apurações será sua prisão.
“Já sei que o resultado final será a minha prisão”, declarou, segundo a reportagem.
Flávio também afirmou que pretende continuar atuando politicamente mesmo fora do Brasil. Ele disse que deseja contestar judicialmente o resultado eleitoral, embora reconheça que as possibilidades de sucesso sejam pequenas.
Flávio não descarta disputar novas eleições
Apesar de afirmar que pretende permanecer nos Estados Unidos pelo menos temporariamente, o senador não descartou retornar à disputa eleitoral no futuro.
“Preciso seguir em frente com a minha vida a partir dos Estados Unidos, pelo menos por enquanto. Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.
A entrevista ao The New York Times foi a primeira concedida pelo parlamentar ao jornal desde sua chegada aos Estados Unidos. A saída do Brasil e as circunstâncias da viagem continuam sendo motivo de questionamentos, especialmente diante das informações sobre a participação de pessoas ligadas à Casa Branca na organização do transporte.
