O posicionamento ideológico da classe médica, inclusive na Paraíba, o negacionismo e a realidade

Faz tempo que a sociedade acompanha com atenção a influência da classe médica no debate político e ideológico, sobretudo depois do advento de Bolsonaro na COVID 19 quando profissionais da saúde defendiam a Cloroquina ineficiente ao invés de ampla vacinação, além de contrários ao isolamento.

Levemos em conta, por exemplo, que o ex-ministro da Saúde do ex-presidente Bolsonaro foi o médico paraibano Marcelo Queiroga, também ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

AS TESES EM CURSO

O fato é que percebe-se claramente um ranço político de setores da classe médica em relação ao Governo Lula, sobretudo depois da implantação do programa “Mais Médicos” permitindo uma interiorização da assistência médica com a presença de médicos cubanos em nosso solo.

COMO ENCARAR O DEBATE

Por que há registro de polarização ideológica na classe médica? – é a pergunta que fazemos para obter respostas que em tese possam nos ajudar a entender passado, presente e futuro.

De cara, vamos encontrar a seguinte reflexão: A pergunta parte de uma generalização que não é confirmada pelos dados. Não é correto dizer que “os médicos brasileiros” ou “os médicos paraibanos” como um grupo tenham uma posição única contra vacinas ou favorável a políticas associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas os indícios reais de polarização são fortes.

OS DADOS REAIS

Observe-se que durante a pandemia, por exemplo, houve forte divisão política dentro da própria classe médica. Alguns médicos apoiaram posições defendidas por Bolsonaro, como críticas a medidas de isolamento ou defesa de tratamentos sem eficácia comprovada.

Outros médicos, sociedades científicas e entidades da área da saúde criticaram essas posições e defenderam vacinação em massa e políticas baseadas em evidências científicas.

Pesquisas acadêmicas sobre o Brasil indicam que a polarização política influenciou o debate sobre vacinas, algo que também ocorreu em outros países. Estudos encontraram associação entre posicionamentos políticos e atitudes favoráveis ou desfavoráveis à vacinação contra a Covid-19.

Também é importante observar que o próprio Conselho Federal de Medicina apoiou a vacinação dos médicos contra a Covid-19 no início da campanha de imunização e solicitou prioridade para a categoria.

SOLO PARAIBANO

Sobre a Paraíba, não há evidência de que os médicos paraibanos, como grupo, sejam mais bolsonaristas ou mais antivacina do que os médicos de outros estados. Existem profissionais com diferentes orientações políticas, assim como ocorre na população em geral.

Mas há de fato uma base bolsonarista, a partir do ex-ministro da Saúde como pré-candidato ao Senado com apoio do pré-candidato Flávio Bolsonaro. E não é só ele.

CAUSAS E EFEITOS

Se o interesse for entender por que uma parcela de médicos aderiu a posições consideradas negacionistas ou contrárias ao consenso científico durante a pandemia, alguns fatores frequentemente apontados por pesquisadores são: Polarização política intensa.

Desconfiança em instituições científicas e governamentais. Influência de redes sociais e desinformação. Convicções ideológicas pessoais. Interpretações divergentes sobre riscos e benefícios de determinadas políticas públicas.

A SÍNTESE DA ÓPERA

O cenário é mais complexo do que “médicos brasileiros são contra vacinas”. Houve médicos em ambos os lados do debate, embora o consenso das principais organizações científicas nacionais e internacionais tenha permanecido favorável à vacinação contra a Covid-19.

Isso não impede que médicos se posicionem no Estado em alinhamento com a doutrina bolsonarista a abrigar teses negacionistas.
Eis o resumo do estudo onde democraticamente precisamos respeitar as posições em divergência, mesmo que o Pais e/ou Estado precisem oferecer efetivamente Políticas Públicas eficazes na saúde para atenuar o sofrimento, sobretudo dos mais humildes e necessitados da sociedade.

A saúde pública é um bem universal a exigir das instituições compromissos com a classe médica de valor humano sem igual.

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