A Justiça Eleitoral da Paraíba confirmou a realização da cerimônia de diplomação do prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto, e de seu vice-prefeito eleito, Evilásio Cavalcanti (Avante). O ato solene está agendado para a próxima segunda-feira (25), às 17h, nas dependências do Teatro Santa Catarina, localizado na cidade portuária. A solenidade será conduzida pela titular da 57ª Zona Eleitoral, a juíza Thana Michelle Carneiro Rodrigues.
O ato formal ocorrerá em um cenário político atípico: Edvaldo Neto segue sob afastamento cautelar de suas funções públicas determinado no âmbito da Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A investigação apura o suposto envolvimento e a interferência de integrantes de uma facção criminosa com a estrutura administrativa da prefeitura municipal.
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Entenda o cenário político e quem assume o comando
Edvaldo Neto foi o vencedor da eleição suplementar realizada no dia 12 de abril, superando nas urnas o segundo colocado, o deputado estadual Wallber Virgolino (PL). Contudo, apenas dois dias após o pleito, em 14 de abril, a Justiça determinou o afastamento preventivo do prefeito eleito devido aos desdobramentos das investigações federais.
Atualmente, Cabedelo é gerida pelo prefeito interino José Pereira, que ocupava o cargo de presidente da Câmara Municipal quando a crise estourou. A diplomação da chapa vitoriosa na segunda-feira trará uma nova configuração institucional:
- Edvaldo Neto (Prefeito eleito): Receberá o diploma oficial da Justiça Eleitoral, ratificando o resultado das urnas, mas não assumirá o exercício do cargo na Prefeitura enquanto a ordem de afastamento cautelar da Operação Cítrico permanecer válida.
- Evilásio Cavalcanti (Vice-prefeito eleito): Como não possui qualquer restrição legal ou medida cautelar contra si, a tendência jurídica e administrativa é que ele preste posse no Legislativo e assuma o comando definitivo da gestão municipal, retirando o controle do presidente da Câmara.
Justiça rejeitou tentativa de Wallber Virgolino de travar diplomação
A confirmação da solenidade ocorre após uma batalha jurídica travada no mês passado. A defesa de Wallber Virgolino protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) pleiteando a suspensão da diplomação e exigindo que o parlamentar assumisse a prefeitura diante das denúncias que pesam sobre o concorrente vitorioso.
No entanto, a juíza Thana Michelle Carneiro Rodrigues negou o pedido de liminar do candidato do PL e resguardou a entrega dos diplomas à chapa do Avante. Na ocasião, a magistrada argumentou que, embora o contexto investigativo desenhado pela Polícia Federal seja grave, o rito eleitoral exige maior profundidade técnica de provas antes de anular uma votação popular ou impedir a diplomação.
“Não se revela possível afirmar, com o grau de evidência exigido, a existência de direito incontroverso”, assinalou a juíza na decisão que garantiu o calendário eleitoral em Cabedelo para o dia 25 de maio.
