Rui Leitão escreve sobre ‘O legado dos idealistas’ em nova coluna; confira

Rui Leitão escreve sobre 'O legado dos idealistas' em nova coluna; confira
 Algumas pessoas vêm ao mundo com uma missão a cumprir: lutar pelas causas sociais. Dedicam suas vidas ao combate à violência, às questões ambientais, à defesa dos direitos das minorias, à resistência aos preconceitos e à batalha contra as desigualdades sociais. Entram para a história por liderarem ações coletivas de caráter sociopolítico. Por isso mesmo, ganham a antipatia de outros que divergem de suas posturas em favor do bem comum.
​Esses idealistas difundem ideias, valores e novas visões de mundo que exercem uma energia motivadora de luta na coletividade, assustando os que não querem perder seus privilégios e preferem manter um status que lhes garanta o exercício da ganância, da ambição desmedida, das injustiças, da opressão e do domínio das elites, em detrimento dos que se colocam na base da pirâmide social.
​Seus discursos e práticas estarão sempre na memória do povo, mesmo que os matem ou os encarcerem. Por uma simples razão: não existem balas que assassinem ideias e conceitos, nem grades de celas que aprisionem pensamentos políticos. O grande problema é que esses ideais, esses novos pensares, assumem condições de perigo para outros, e os seus propagadores tornam-se inimigos e ameaças para suas concepções de vida. Há uma frase de Platão que diz: “a ideia que não é perigosa não pode ser chamada de ideia”. A coragem dos idealistas transforma seus divulgadores e praticantes em mártires. No entanto, a semente que plantaram continuará germinando no terreno fértil onde foi colocada.
​As ideias são construções abstratas da mente. Podem até punir ou prender pessoas que as detêm ou as manifestam, mas elas continuam vivas e fortalecidas. Como diz a famosa frase atribuída a Victor Hugo: “nada é mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou”. Já testemunhamos, ao longo da história, muitas tentativas de controlar o pensamento humano por meio de sistemas de censura e controle social. No entanto, jamais conseguiram fazer desaparecer por completo as ideias levadas ao conhecimento coletivo. Porque elas não morrem. Algumas vezes são substituídas por outras mais modernas à medida que a sociedade avança. Quando ameaçadas por regimes autoritários, conseguem sobreviver na clandestinidade, ressurgindo tempos depois. Os cárceres podem até calar um indivíduo temporariamente, mas nunca seu pensamento.
​O legado, os exemplos e a memória de pessoas corajosas transcendem a própria vida. Os produtores e propagadores de ideias são medidos pelo impacto positivo e pelas sementes deixadas que inspiram e transformam vidas. Eles podem ser desafiados e até mesmo atacados, mas suas ideias nunca morrem de verdade. O mundo retém a esperança pelo coração e pelas atitudes dos idealistas. As ideias por eles plantadas nas nossas mentes fazem com que nos mantenhamos humanos num mundo que se desumaniza a passos apressados, fazendo-nos pessoas que lentamente naturalizam barbáries. São as vozes dos idealistas que nos convidam a preservar o caráter diante de tantos canalhas que conquistam o poder e nos tentam, oferecendo-nos o mesmo percurso.
​Atribui-se a Voltaire a declaração que afirma: “Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la”. É assim que pensam os idealistas. E, por isso, são constantemente ameaçados, aprisionados e mortos. Eles enxergam o mundo não apenas como ele é, mas como deveria ser.
Rui Leitão

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