Partidos políticos não nasceram para serem propriedades privadas de famílias políticas, por Leonardo Forte

Partidos políticos

Os partidos políticos nasceram para representar ideias, princípios, programas de governo e projetos de sociedade. Não nasceram para serem propriedades privadas de famílias políticas, nem empresas de aluguel eleitoral administradas por pequenos grupos que se comportam como verdadeiros donos de uma legenda.

Infelizmente, em grande parte da política brasileira, muitos partidos deixaram de funcionar como instrumentos democráticos e passaram a operar como verdadeiras capitanias hereditárias modernas.

Em vez de democracia interna, prevalece o comando pessoal.
Em vez de debate ideológico, prevalece o interesse particular.
Em vez de renovação política, prevalece a herança familiar.

Os partidos passam de pai para filho.
De tio para sobrinho.
De grupos fechados para aliados íntimos.
E a legenda, que deveria pertencer à sociedade e aos seus filiados, transforma-se em patrimônio privado de poucas pessoas.

O mais grave é que muitos desses dirigentes utilizam o partido como moeda de negociação política, negociando apoios, cargos, tempo de televisão, alianças e espaços de poder de acordo com conveniências pessoais e familiares, e não em defesa do interesse coletivo.

A bandeira partidária desaparece.
No lugar dela surge apenas uma única bandeira:
a do interesse próprio.

Isso destrói a essência da democracia.

Quando um partido deixa de ser coletivo e passa a servir apenas aos interesses de um pequeno grupo, ele perde sua função republicana. O partido deixa de representar o povo para representar apenas projetos de manutenção de poder.

A consequência disso é extremamente perigosa:
a população perde a confiança na política, desacredita das instituições e passa a enxergar os partidos como meros instrumentos de negociação e sobrevivência de oligarquias políticas.

Nenhuma democracia amadurece de verdade quando os partidos políticos funcionam como propriedades privadas.

É preciso fortalecer urgentemente a democracia interna partidária.
Garantir participação real dos filiados.
Criar mecanismos transparentes de escolha de dirigentes.
Estimular renovação política.
Impedir concentrações eternas de poder dentro das legendas.

Partido político não é herança de família.
Não é empresa particular.
Não é patrimônio privado.
Não pertence a caciques políticos.

Partido político pertence à democracia.
Pertence aos seus filiados.
Pertence ao debate público.
E, acima de tudo, pertence à sociedade brasileira.

Enquanto não houver coragem para enfrentar essa privatização silenciosa dos partidos, continuaremos assistindo a legendas que deveriam defender ideias se transformarem apenas em instrumentos de perpetuação de poder pessoal e familiar.

E quando a política perde seu caráter coletivo, quem perde é a própria democracia.

Leonardo Forte

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