Paraíba

Relatório da UFPB indica escalada de mortes por Covid-19 no Vale do Mamanguape

Em 20 dias, foram 27 óbitos; taxa é de 1,3 mortes por dia no Litoral Norte paraibano

19/08/2020


As 12 cidades do Litoral Norte paraibano possuem aproximadamente 151 mil habitantes. Cerca de 22 mil indígenas Potiguara vivem em áreas de proteção ambiental da região e precisam de ações específicas por causa de particularidades étnicas, econômicas e culturais

Portal WSCOM



Relatório do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Etnias e Economia Solidária da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) alerta para a escalada de mortes, diante da pandemia da Covid-19, no Vale do Mamanguape, no Litoral Norte paraibano.

Segundo dados do grupo de pesquisadores, a região conta com 89 mortes decorrentes da Covid-19 e, entre os dias 30 de julho e 10 de agosto, houve uma “ampla explosão de óbitos”. Em 20 dias, foram 27 óbitos: 16 no final de julho e 11 no início de agosto. Isso significa uma taxa de 1,3 mortes por dia na localidade.

“A pandemia avança e assume o pior comportamento. Há uma ‘ampla explosão de óbitos’. A pandemia de Covid-19 continua fazendo vítimas letais e os gestores públicos precisam redirecionar planos, com ações que protejam os municípios. Do contrário, o vírus continuará circulando e trazendo mortes”, argumenta o professor Paulo Palhano, coordenador do grupo da UFPB.

No sentido contrário do que recomendam os pesquisadores da UFPB, a região não conta mais com barreiras sanitárias entre os municípios e está sem testagem em massa. Além disso, há diminuição de ações educativas, as unidades de saúde estão fechadas e os boletins epidemiológicos deixaram de ser divulgados à população.

“Enquanto o vírus avança, a realidade torna-se mais cruel. Registra-se que o processo de silenciamento, desmobilização, incerteza e medo pode trazer sérias consequências para as populações, especialmente as classificadas como vivendo em vulnerabilidade”, diz Palhano.

O professor da UFPB critica os governantes que “parecem ser coniventes com a falta de conhecimento do povo da região e não estão atendendo reivindicações das autoridades médicas e da Organização Mundial de Saúde (OMS)”.

Para Palhano, a crise sanitária da pandemia do Covid-19 continua fazendo vítimas e, de maneira sutil, vem dominando a saúde das pessoas mais vulneráveis socialmente no Vale do Mamanguape.

“Na verdade, a população vive um tempo de silenciamento, desmobilização, incerteza e medo, com o vírus podendo estar presente de modo oculto nos ambientes. A palavra-chave é cautela, tanto para a população quanto para os gestores municipais do Vale do Mamanguape”, acredita o professor da UFPB.

Paulo Palhano sentencia que, ao promoverem o relaxamento de medidas de proteção, falta de informação e de cuidados na região, os gestores públicos têm “provocado deliberadamente o silenciamento”.

Ele afirma que é “pura violência simbólica, pois o dominado não se opõe ao seu opressor, já que não se percebe como vítima deste processo violento”.

O professor da UFPB ensina que “o que se verifica na gestão do Vale do Mamanguape é o oprimido considerando a situação como natural e inevitável”.

“Nesse ritmo, o Vale do Mamanguape deve atingir 100 óbitos por Covid-19 nos próximos dias. Os casos ativos vêm registrando reduções, mas a probabilidade é que se mantenham em constância, ainda, por um tempo”, revela Palhano.

As 12 cidades do Vale do Mamanguape possuem juntas uma população de aproximadamente 151 mil habitantes. Cerca de 22 mil indígenas Potiguara vivem em áreas de proteção ambiental da região.

“São segmentos sociais que requerem cuidados específicos por causa de particularidades étnicas, econômicas e culturais. Recomendamos, sabendo que cada município é possuidor de características únicas, que sejam adotadas medidas com planejamento articulado dentro dos comitês e anunciadas para a população”, reforça o grupo de pesquisadores da UFPB.

As ações das Secretarias de Saúde da região, alega Palhano, devem agir no sentido de identificar os espaços “preferidos” do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

O professor da UFPB enfatiza que é preciso colocar em prática uma ação minuciosa para cada município promover a proteção do seu território.

Também assevera que a “crise sanitária pandêmica da Covid-19 exige a publicação diária dos boletins epidemiológicos para orientar os procedimentos da população local e de localidades adjacentes”.


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