O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26) a entregar seus passaportes e está proibido de deixar o Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Derrotado na eleição presidencial, o parlamentar afirmou que vai cumprir a ordem, mas pretende contestá-la judicialmente.
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Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio relatou que foi abordado por agentes da PF quando seguia para visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Segundo ele, a decisão foi motivada por uma declaração de Eduardo Bolsonaro, que havia defendido sua saída do país caso perdesse a eleição.
Na sexta-feira (23), Eduardo afirmou em entrevista a um programa dos Estados Unidos: “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”. A declaração ocorreu antes do segundo turno, realizado no domingo (25).
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Flávio Bolsonaro critica decisão de Alexandre de Moraes
Flávio negou que pretendesse deixar o Brasil e questionou a decisão de Moraes. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar”, declarou. O senador também alegou que a medida teve motivação política por ter sido determinada após sua derrota.
Senador é investigado em dois inquéritos no STF
O parlamentar é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF. Um deles, relatado por Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento ligadas ao advogado Willer Tomaz, com quem Flávio mantém uma relação de amizade.
A Polícia Federal identificou registros de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, ligada a Willer, na qual o senador aparecia como usuário com acesso privilegiado, identificado como “master”. Os investigadores buscam esclarecer a natureza dessa vinculação e se houve movimentações financeiras realizadas pelo parlamentar.
Bloqueio de R$ 6 bilhões e investigação financeira
Na sexta-feira (23), Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados a Willer, além da quebra de sigilos e da suspensão de atividades de empresas relacionadas ao advogado. A investigação também examina operações financeiras, incluindo uma conta que movimentou aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025.
A defesa de Willer contesta as medidas, considera o bloqueio desproporcional e nega que Flávio tivesse poderes para movimentar recursos na conta investigada. O senador também rejeita qualquer irregularidade e afirma que sua relação com o advogado é exclusivamente pessoal.
Investigação sobre financiamento do filme Dark Horse
O segundo inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A PF apura a participação de Flávio em tratativas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para obter recursos destinados à produção.
Na semana passada, a Polícia Federal pediu mais 90 dias para concluir essa investigação. Flávio nega irregularidades e sustenta que os recursos negociados para o filme eram privados.
Fim do mandato e continuidade das investigações
O mandato do senador termina em fevereiro de 2027. Mesmo após deixar o Congresso, as investigações poderão permanecer no STF caso os fatos apurados sejam considerados relacionados ao exercício de suas funções parlamentares, conforme entendimento firmado pela Corte em 2025.

