O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu aliados políticos nesta segunda-feira (5), em Brasília, no primeiro dia após o primeiro turno das eleições, e adotou um discurso de mobilização para a etapa decisiva da disputa presidencial. Entre os participantes estavam o governador reeleito da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), e Veneziano Vital do Rêgo e João Azevêdo, vencedores da eleição para o Senado no estado.
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Diante dos aliados, Lula reconheceu a frustração por não ter encerrado a disputa no primeiro turno, mas afirmou não enxergar obstáculos que impeçam uma virada na votação decisiva.
“Eu estou convencido que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno. Não há nenhuma razão econômica, social, política. Não há nenhuma razão”, declarou.
O petista terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Com a apuração praticamente concluída, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula alcançou 53,8 milhões, equivalentes a 45,15%. A diferença entre os dois ficou em aproximadamente 2,24 milhões de votos, resultado que obriga o presidente a ampliar sua votação para permanecer no Palácio do Planalto.
Lula traça estratégia para o segundo turno
Ao falar sobre a estratégia para os próximos dias, Lula indicou que pretende intensificar a presença nas ruas e ampliar a exposição da campanha. “São 20 dias, mas é melhor. Vamos dormir menos, vamos trabalhar mais”, afirmou. Ele citou a intenção de realizar novas agendas em diferentes estados e reconheceu que precisa ampliar a comunicação. “Eu fiz muito pouco rádio nessa campanha. Vou ter que fazer mais rádio, eu vou ter que fazer mais selfie, vou ter que conversar mais e vou ter que arrumar tempo para fazer mais.”
Lula também sinalizou que pretende participar dos confrontos diretos com Flávio Bolsonaro na televisão. “Agora sim, agora é importante ter debate na televisão. Porque agora é tête-à-tête. Agora é um contra um”, disse. A declaração aponta para uma mudança de dinâmica em relação ao primeiro turno, quando a disputa envolvia um número maior de candidatos.
Abstenção entra no foco da campanha
Outro alvo da mobilização serão os eleitores que não compareceram às urnas. Lula chamou atenção para o contingente de aproximadamente 30 milhões de pessoas que ficaram fora da votação e defendeu que sua campanha identifique as razões da abstenção. “O que nós temos é que tentar convencer porque 30 milhões de seres humanos não foram votar”, afirmou. Para ele, cabe à campanha “devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral”.
Lula aborda segurança pública em reunião com aliados
Durante a reunião, o presidente dedicou parte considerável do discurso à segurança pública. Lula defendeu a aprovação de uma PEC para ampliar a participação da União no setor e pediu apoio dos governadores. “Lugar para a segurança pública tem que proteger a segurança do cidadão trabalhador. Porque o bandido tem que ir para a cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade se manifestar”, declarou. Segundo ele, o enfrentamento ao crime organizado também precisa ser acompanhado de políticas sociais nas comunidades.
Lula ainda recorreu ao próprio histórico eleitoral para tentar transmitir confiança aos aliados. Ele lembrou disputas anteriores em que precisou do segundo turno e mencionou especificamente a eleição de 2006. “Eu cresci 12 milhões de votos e o Alckmin perdeu 4 milhões de votos no segundo turno”, afirmou, ressalvando que o cenário atual representa “outro momento” e “outra história”.
