Petróleo perde força no mercado internacional após revés eleitoral de Trump nos EUA

Barril chegou a registrar desvalorização superior a 8% em meio à expectativa de redução das tensões com o Irã; incertezas sobre o Estreito de Ormuz ainda preocupam investidores

Foto: Reprodução

O resultado das eleições legislativas dos Estados Unidos provocou uma reação imediata no mercado internacional de energia. Os preços do petróleo sofreram uma forte desvalorização após o Partido Democrata conquistar espaço no Congresso e impor uma derrota política ao presidente Donald Trump, aumentando as apostas de investidores em uma possível redução das tensões no Oriente Médio.

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Na noite de quarta-feira (4), os contratos da commodity chegaram a cair mais de 8%. A desvalorização continuou durante as primeiras negociações desta quinta-feira (5) nos mercados asiáticos, conforme informações da Dow Jones Newswires publicadas pelo *Valor Econômico*.

O barril do WTI, com vencimento em dezembro, era negociado a US$ 87,77, com baixa de 0,4%. Já o Brent, utilizado como referência internacional, registrava recuo de 0,2%, cotado a US$ 94,64 para entrega em janeiro.

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Resultado eleitoral muda percepção dos investidores

O avanço democrata no Congresso norte-americano levou investidores a considerar a possibilidade de que Trump enfrente maiores limitações para conduzir sua política externa. Uma eventual mudança de postura dos Estados Unidos em relação ao Irã poderia abrir caminho para negociações e diminuir o risco de agravamento do conflito.

Nos últimos meses, o confronto e as dificuldades de circulação de embarcações no Golfo Pérsico contribuíram para elevar as cotações do petróleo. Isso porque o mercado passou a incorporar aos preços o risco de interrupção no fornecimento mundial.

Com a perspectiva de uma possível distensão, parte desse risco deixou de pressionar as negociações. Ainda assim, o resultado das urnas não representa um acordo de paz nem confirma qualquer alteração imediata na estratégia do governo americano.

Bloqueio em rota estratégica mantém alerta

A principal preocupação dos analistas continua concentrada no Estreito de Ormuz, passagem marítima fundamental para o transporte internacional de petróleo.

O banco ANZ considera que a reação negativa dos preços pode ter sido antecipada. Segundo os especialistas da instituição, não há sinais suficientes de que a situação na região esteja próxima de uma normalização.

“Não parece haver um fim à vista para o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, fator que tem restringido o fluxo de petróleo”, afirmaram.

A rota conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e tem papel estratégico no abastecimento energético mundial. Restrições à navegação nesse corredor reduzem a circulação de cargas e aumentam a preocupação com a oferta disponível.

Levantamento de rastreamento de embarcações citado pelo ANZ aponta que as exportações de petróleo bruto provenientes do Golfo Pérsico ficaram em média em 17,1 milhões de barris por dia em outubro, abaixo do volume registrado no mês anterior.

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