Coligação de Cícero protocola AIJE e acusa Lucas Ribeiro de usar sistema para mapear eleitores e prometer benefícios em troca de votos

A coligação “Juntos Para a Paraíba Dar o Próximo Passo”, que tem Cícero Lucena (MDB) como candidato ao Governo da Paraíba, protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP) e a candidata a vice-governadora Lígia Feliciano. A ação tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Siga o canal do WSCOM no Whatsapp Inscreva-se na newsletter do WSCOM Entre no nosso grupo exclusivo Na petição, a coligação acusa a chapa adversária de utilizar uma plataforma denominada “VQ2026 — Visitas Qualificadas 2026” para realizar abordagens domiciliares, registrar intenção de voto antes e depois das conversas com eleitores, identificar necessidades pessoais e organizar o retorno das equipes para atendimento das demandas. “É a comprovação documentada da maior compra de votos na história do Brasil. Eu não vi ainda em nenhum local, todo mundo fala de compra de voto, de abuso de poder econômico. Mas quem comprar, documentar a visita, oferta a comprovação do atendimento e a revisita para verificar se houve uma modificação do voto essa é a primeira vez”, disse o advogado Walter Agra. Os autores sustentam que o sistema teria sido utilizado para captação ilícita de sufrágio, abuso de poder político e econômico e uso de servidores públicos em atividade eleitoral. A ação também pede a preservação de provas digitais e a realização de perícias e cruzamentos de dados. Segundo a petição, apenas entre 30 de agosto e 3 de setembro de 2026, o sistema registrou 8.526 visitas e tinha 1.287 colaboradores vinculados à operação. Em outra parte do documento, a coligação informa que a plataforma chegou a registrar 1.596 colaboradores cadastrados, dos quais 1.339 estavam ativos, distribuídos em grupos territoriais. Sistema registraria voto antes e depois da abordagem Um dos principais argumentos apresentados na AIJE é que a plataforma não teria funcionado apenas como ferramenta de pesquisa eleitoral. Segundo a coligação, o sistema registrava a intenção de voto do eleitor em dois momentos: antes e depois da conversa com o cadastrador. A petição cita um relatório segundo o qual 2.126 pessoas teriam mudado de posição durante a abordagem. O documento afirma que a plataforma identificava nominalmente o candidato “Lucas” e produzia métricas relacionadas à conversão de eleitores e ao desempenho dos grupos de campo. “O sistema não registra a intenção de voto uma vez, como faria uma pesquisa normal. Registra-a duas vezes: ‘antes da abordagem’ e ‘depois da abordagem do entrevistador’”, diz a petição. Em outro trecho, os autores afirmam que o relatório apontava que “2.126 mudaram de posição durante a abordagem - é sobre esse grupo que a conversa em campo teve efeito”. A coligação sustenta que esse mecanismo demonstraria que a finalidade da estrutura não seria apenas medir a opinião dos eleitores, mas verificar a eficácia das abordagens. Demandas de eleitores eram cadastradas, diz ação A ação também aponta como elemento central da acusação o módulo destinado ao registro de demandas pessoais dos eleitores. Segundo a petição, entre os pedidos registrados estavam consultas, exames, cestas básicas, saneamento e calçamento. No período analisado, o sistema teria contabilizado 1.721 demandas individuais, além de 723 pedidos de material e 6.942 revisitas. Os autores afirmam que as demandas eram vinculadas a dados pessoais dos eleitores, incluindo nome, endereço e telefone, e encaminhadas para perfis identificados como “Setor de demandas” e “Entregador”. Entre os temas mais frequentes, a petição aponta: saúde: 303 menções; segurança: 251; lixo: 101; cesta: 82; exame: 79; saneamento: 75; calçamento: 74. O sistema também classificaria essas solicitações como compromissos que exigiriam o retorno das equipes. “O núcleo do ilícito está no módulo de ‘demandas, material e revisitas’, que o próprio sistema descreve como ‘os compromissos gerados em campo que exigem retorno da equipe’”, afirma a coligação. Segundo a ação, a existência de uma estrutura de revisita e entrega indicaria que as necessidades apresentadas pelos eleitores não eram apenas coletadas, mas encaminhadas para posterior atendimento. Coligação aponta 276 servidores estaduais Outro ponto da AIJE é o cruzamento entre a lista de colaboradores do VQ2026 e a folha de pagamento do Governo da Paraíba. De acordo com a petição, os autores compararam os nomes dos 1.287 colaboradores registrados no sistema com a folha do Poder Executivo estadual referente aos meses de janeiro a junho de 2026. A coligação afirma ter identificado 276 colaboradores que seriam servidores estaduais, correspondentes a 21,4% do cadastro analisado. Desse grupo, segundo a ação, 158 eram contratados temporários, 105 ocupavam cargos comissionados e 11 eram servidores efetivos. Sistema teria sido retirado do ar A coligação afirma que tomou conhecimento da existência da plataforma por meio de uma denúncia anônima feita por uma pessoa que integraria a estrutura de campo. Segundo a petição, o denunciante teria fornecido credenciais de acesso ao sistema, o que permitiu à equipe jurídica da campanha consultar e baixar os dados. Os autores afirmam que comunicaram o caso ao Ministério Público Eleitoral em 6 de setembro. Segundo a ação, servidores do MPE teriam acessado o sistema na sede do TRE-PB e certificado a existência dos dados relatados. A coligação afirma ainda que, posteriormente, o site foi retirado do ar, mas que os dados teriam sido previamente baixados e preservados. A coligação também solicita o cruzamento dos registros da plataforma com imagens das câmeras do sistema Smart City de João Pessoa. A ideia, segundo a petição, é comparar os horários e coordenadas registrados durante as visitas com as imagens das câmeras existentes nos locais. Também foi pedido o cruzamento dos dados dos celulares dos colaboradores com os endereços registrados no sistema. “As visitas e revisitas listadas nos relatórios em anexo podem ser confirmadas através de simples diligência ou oitiva dos beneficiários OU, ainda, mediante a requisição e análise das imagens das câmeras públicas do smart city espalhadas pela cidade”, afirma a ação. O que a coligação pede ao TRE-PB No mérito, a coligação pede que a Justiça Eleitoral reconheça a prática de captação ilícita de sufrágio, prevista no artigo 41-A da Lei das Eleições; abuso de poder político e econômico; e conduta vedada pelo artigo 73, III, relacionada ao uso de servidores públicos em atividade de campanha. Em caso de procedência, os autores pedem a cassação do registro ou diploma de Lucas Ribeiro e Lígia Feliciano, aplicação de multas e, no caso do abuso de poder, a declaração de inelegibilidade pelo período de oito anos.
Advogado Walter Agra.

 

A coligação “Juntos Para a Paraíba Dar o Próximo Passo”, que tem Cícero Lucena (MDB) como candidato ao Governo da Paraíba, protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP) e a candidata a vice-governadora Lígia Feliciano. A ação tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).

Siga o canal do WSCOM no Whatsapp

Inscreva-se na newsletter do WSCOM

Entre no nosso grupo exclusivo

Na petição, a coligação acusa a chapa adversária de utilizar uma plataforma denominada “VQ2026 — Visitas Qualificadas 2026” para realizar abordagens domiciliares, registrar intenção de voto antes e depois das conversas com eleitores, identificar necessidades pessoais e organizar o retorno das equipes para atendimento das demandas.

“É a comprovação documentada da maior compra de votos na história do Brasil. Eu não vi ainda em nenhum local, todo mundo fala de compra de voto, de abuso de poder econômico. Mas quem comprar, documentar a visita, oferta a comprovação do atendimento e a revisita para verificar se houve uma modificação do voto essa é a primeira vez”, disse o advogado Walter Agra.

Os autores sustentam que o sistema teria sido utilizado para captação ilícita de sufrágio, abuso de poder político e econômico e uso de servidores públicos em atividade eleitoral. A ação também pede a preservação de provas digitais e a realização de perícias e cruzamentos de dados.

Segundo a petição, apenas entre 30 de agosto e 3 de setembro de 2026, o sistema registrou 8.526 visitas e tinha 1.287 colaboradores vinculados à operação. Em outra parte do documento, a coligação informa que a plataforma chegou a registrar 1.596 colaboradores cadastrados, dos quais 1.339 estavam ativos, distribuídos em grupos territoriais.

Sistema registraria voto antes e depois da abordagem

Um dos principais argumentos apresentados na AIJE é que a plataforma não teria funcionado apenas como ferramenta de pesquisa eleitoral.

Segundo a coligação, o sistema registrava a intenção de voto do eleitor em dois momentos: antes e depois da conversa com o cadastrador. A petição cita um relatório segundo o qual 2.126 pessoas teriam mudado de posição durante a abordagem.

O documento afirma que a plataforma identificava nominalmente o candidato “Lucas” e produzia métricas relacionadas à conversão de eleitores e ao desempenho dos grupos de campo.

“O sistema não registra a intenção de voto uma vez, como faria uma pesquisa normal. Registra-a duas vezes: ‘antes da abordagem’ e ‘depois da abordagem do entrevistador’”, diz a petição.

Em outro trecho, os autores afirmam que o relatório apontava que “2.126 mudaram de posição durante a abordagem – é sobre esse grupo que a conversa em campo teve efeito”.

A coligação sustenta que esse mecanismo demonstraria que a finalidade da estrutura não seria apenas medir a opinião dos eleitores, mas verificar a eficácia das abordagens.

Demandas de eleitores eram cadastradas, diz ação

A ação também aponta como elemento central da acusação o módulo destinado ao registro de demandas pessoais dos eleitores.

Segundo a petição, entre os pedidos registrados estavam consultas, exames, cestas básicas, saneamento e calçamento. No período analisado, o sistema teria contabilizado 1.721 demandas individuais, além de 723 pedidos de material e 6.942 revisitas.

Os autores afirmam que as demandas eram vinculadas a dados pessoais dos eleitores, incluindo nome, endereço e telefone, e encaminhadas para perfis identificados como “Setor de demandas” e “Entregador”.

Entre os temas mais frequentes, a petição aponta:

saúde: 303 menções;
segurança: 251;
lixo: 101;
cesta: 82;
exame: 79;
saneamento: 75;
calçamento: 74.

O sistema também classificaria essas solicitações como compromissos que exigiriam o retorno das equipes.

“O núcleo do ilícito está no módulo de ‘demandas, material e revisitas’, que o próprio sistema descreve como ‘os compromissos gerados em campo que exigem retorno da equipe’”, afirma a coligação.

Segundo a ação, a existência de uma estrutura de revisita e entrega indicaria que as necessidades apresentadas pelos eleitores não eram apenas coletadas, mas encaminhadas para posterior atendimento.

Coligação aponta 276 servidores estaduais

Outro ponto da AIJE é o cruzamento entre a lista de colaboradores do VQ2026 e a folha de pagamento do Governo da Paraíba.

De acordo com a petição, os autores compararam os nomes dos 1.287 colaboradores registrados no sistema com a folha do Poder Executivo estadual referente aos meses de janeiro a junho de 2026.

A coligação afirma ter identificado 276 colaboradores que seriam servidores estaduais, correspondentes a 21,4% do cadastro analisado. Desse grupo, segundo a ação, 158 eram contratados temporários, 105 ocupavam cargos comissionados e 11 eram servidores efetivos.

Sistema teria sido retirado do ar

A coligação afirma que tomou conhecimento da existência da plataforma por meio de uma denúncia anônima feita por uma pessoa que integraria a estrutura de campo. Segundo a petição, o denunciante teria fornecido credenciais de acesso ao sistema, o que permitiu à equipe jurídica da campanha consultar e baixar os dados.

Os autores afirmam que comunicaram o caso ao Ministério Público Eleitoral em 6 de setembro. Segundo a ação, servidores do MPE teriam acessado o sistema na sede do TRE-PB e certificado a existência dos dados relatados.

A coligação afirma ainda que, posteriormente, o site foi retirado do ar, mas que os dados teriam sido previamente baixados e preservados.

A coligação também solicita o cruzamento dos registros da plataforma com imagens das câmeras do sistema Smart City de João Pessoa.

A ideia, segundo a petição, é comparar os horários e coordenadas registrados durante as visitas com as imagens das câmeras existentes nos locais.

Também foi pedido o cruzamento dos dados dos celulares dos colaboradores com os endereços registrados no sistema.

“As visitas e revisitas listadas nos relatórios em anexo podem ser confirmadas através de simples diligência ou oitiva dos beneficiários OU, ainda, mediante a requisição e análise das imagens das câmeras públicas do smart city espalhadas pela cidade”, afirma a ação.

O que a coligação pede ao TRE-PB

No mérito, a coligação pede que a Justiça Eleitoral reconheça a prática de captação ilícita de sufrágio, prevista no artigo 41-A da Lei das Eleições; abuso de poder político e econômico; e conduta vedada pelo artigo 73, III, relacionada ao uso de servidores públicos em atividade de campanha.

Em caso de procedência, os autores pedem a cassação do registro ou diploma de Lucas Ribeiro e Lígia Feliciano, aplicação de multas e, no caso do abuso de poder, a declaração de inelegibilidade pelo período de oito anos.

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de Privacidade – Termos de Uso