Na ONU, Lula defende soberania, rejeita interferência externa e diz que ‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’

Lula Netanyahu onu

O presidente Lula (PT) aproveitou a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York, para mandar um recado direto a Washington. Em meio ao acirramento das tensões e ao impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos, o chefe de Estado rechaçou qualquer tentativa de interferência estrangeira sobre os rumos políticos do país.

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Diante do plenário, o chefe do Executivo brasileiro ressaltou que o momento exige escolhas claras entre o fortalecimento das instâncias multilaterais e a imposição unilateral de forças econômicas, frisando a independência de Brasília nas relações internacionais.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, cravou o presidente.

O discurso ocorreu em um momento de aparente alinhamento da oposição brasileira com a Casa Branca – escancarado após o encontro recente entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente norte-americano Donald Trump. Sem citar nomes, Lula condenou as tentativas de contaminação do pleito de 4 de outubro e pontuou que o futuro do país será decidido exclusivamente nas urnas brasileiras.

“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”, afirmou.

No quesito economia, o pronunciamento focou no pacote de sobretaxas adotado pela administração norte-americana contra produtos de exportação brasileiros. Lula acusou o governo dos EUA de minar a autoridade da Organização Mundial do Comércio (OMC) ao utilizar sanções protecionistas como instrumento de barganha diplomática.

“Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas”, alertou o mandatário.

O presidente ponderou, contudo, que o Brasil continuará ampliando seu leque de parceiros globais por meio de uma agenda focada em investimentos e cooperação mútua. O discurso manteve a tradição histórica, em vigor desde 1955, de ter o chefe de Estado brasileiro como o primeiro orador da Assembleia Geral da ONU.

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