‘Foi para criar lucro artificial e aumentar dividendo’, diz ex-sócio de Lemann sobre maquiagem nos balanços da Americanas

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Ex-sócio de Jorge Paulo Lemann, Luiz Cezar Fernandes afirmou à Veja que as maquiagens nos balanços da Americanas, que esconderam por anos um rombo de R$ 20 bilhões, provavelmente começaram “há muito tempo” e foram “uma maneira de criar lucro artificial para aumentar dividendo”.

“Foram ao extremo deixando um atraso no pagamento dos fornecedores. O fornecedor vendeu por 90 dias, eles atrasavam e pagavam com 120 dias. Mas isso não foi suficiente, então resolveu esconder o passivo dos bancos. Acho que chegou em um ponto que não dava mais, chamaram o (Sergio) Rial e falaram: ‘temos um problema, não estamos mais conseguindo alavancar, você vem e fala que tem isso aqui e aqui’. Porque é impossível que o Rial em uma semana descubra um troço que nenhum analista tenha pegado nesses 50 anos, mil analistas e ninguém pegou. Ele é gênio, mas nem tanto. Aquilo foi combinado. ‘Você diz que descobriu, aí a gente parte para resolver, então vamos dar o prejuízo para o Family Office e para os bancos’. Acho que isso começou há muito tempo”, disse.

A prática, segundo ele, estava atrelada diretamente ao pagamento de bônus aos executivos da Americanas. “Você paga o bônus de acordo com o lucro. Mas eles criaram o lucro para pagar dividendo e o monstro de bônus para os executivos, desproporcional ao lucro real que a empresa estava tendo”.

Fernandes ainda destaca que Lemann e seus sócios, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, se prepararam para a divulgação do rombo, deixando o conselho da empresa para não se comprometerem. “Inflavam o lucro, pagavam bônus para os executivos, mas quem mandava na loja? Ninguém? Era o Beto Sicupira que mandava. Eles chegavam na reunião e ninguém podia discordar dele. A gente tinha consciência que era assim. Todo ano diziam: ‘ah, vamos aumentar aqui e distribuir dividendos’. E eles vieram aproveitando que já estava batendo no limite para vender uma posição grande [das ações da empresa]. Sabiam que o problema iria estourar em algum momento e que as ações não ficariam naquele preço. O preço médio de venda hoje tem uma enorme queda. E todo mundo saiu do conselho de administração. O Jorge [Paulo Lemann] e o Marcel [Telles] saíram há anos, mas o Beto [Sicupira] deixou o conselho há um ano, com a desculpa que o mercado não aceitou. Na prática, ele era o controlador, que mandava e pronto, mas aparentemente passou a ser acionista de referência. Ele mandava no conselho todos os dias, mas tecnicamente não era controlador. Juridicamente, ele tem uma posição muito tranquila, se tiver um processo do Ministério Público e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Por isso, acho que já estava no planejamento do Rial fazer a denúncia”.

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