A produção de cana-de-açúcar no Brasil está estimada em 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/2026, segundo o 4º Levantamento divulgado nesta sexta-feira (17) pela Companhia Nacional de Abastecimento. O volume representa uma leve retração de 0,5% em relação ao ciclo anterior, mas ainda configura a terceira maior safra já registrada na série histórica da Companhia.
Apesar da redução na colheita, o país deve alcançar a maior produção de etanol da história e a segunda maior fabricação de açúcar. Ao todo, a produção de etanol, considerando as matérias-primas cana-de-açúcar e milho, está estimada em 37,5 bilhões de litros, um crescimento de 0,8% na comparação anual.
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O avanço é puxado principalmente pelo etanol de milho, cuja produção deve atingir 10,17 bilhões de litros, alta expressiva de 29,8% em relação à safra passada. Já o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar deve recuar 6,9%, totalizando 27,33 bilhões de litros.
No caso do açúcar, a produção está estimada em 44,2 milhões de toneladas, um leve aumento de 0,1%. Mesmo com a limitação na oferta de matéria-prima, este é o segundo maior volume já registrado, ficando atrás apenas da safra 2023/2024.
A queda na produção de cana é explicada, principalmente, pela redução de 2,6% na produtividade média nacional, que ficou em 75.184 quilos por hectare. As condições climáticas desfavoráveis, como estiagens e altas temperaturas registradas em 2024, afetaram o desenvolvimento das lavouras, especialmente na região Centro-Sul.
Por outro lado, o aumento de 2,1% na área colhida, estimada em 8,95 milhões de hectares, ajudou a compensar parcialmente as perdas de produtividade.
Regionalmente, o Sudeste, principal polo produtor, deve registrar queda de 2,2%, com produção estimada em 430,1 milhões de toneladas, impactada por seca, calor intenso e incêndios. As regiões Norte e Nordeste também apresentam retração, com reduções de 7,1% e 2%, respectivamente.
Na contramão, o Centro-Oeste deve crescer 3,4%, alcançando 150,2 milhões de toneladas, impulsionado pela expansão da área plantada. Já o Sul também apresenta alta, com produção estimada em 36 milhões de toneladas, beneficiada pela melhora nas condições climáticas.
No mercado, a Companhia Nacional de Abastecimento aponta maior direcionamento da cana para a produção de açúcar, o que ajudou a sustentar a oferta do produto. Para o etanol, a expectativa é de estabilidade no curto prazo, especialmente no segmento anidro, enquanto o açúcar deve enfrentar limitações de alta devido à maior oferta global, apesar de fatores pontuais de sustentação no mercado externo.