A ex-presidente da República, Dilma Rousseff (PT), criticou a política de imposição de sanções econômicas que diversos países ocidentais estão adotando contra a Rússia. A fala da ex-presidente foi proferida durante o Brazil Summit Europe, que está sendo realizado por alunos brasileiros da Hertie School, em Berlim.
“Somos, da nossa parte, contrários a qualquer política de intervenção econômica baseada em sanções, até porque tal política só produziu mortes, fome e miséria. Temos dois terríveis exemplos, os 60 anos de sistemáticas sanções aplicadas contra Cuba e as recentes sanções contra a Venezuela durante uma pandemia, que provocaram danos à população daqueles países e não alteraram os seus regimes”, afirmou a ex-presidente.
“A invasão da Ucrânia pela Rússia tem sem dúvida consequências econômicas e sociais sobre todos os países do mundo globalizado, mesmo que a globalização já viesse se enfraquecendo desde pelo menos a crise de 2008. As sanções fazem parte da guerra, por outros meios. E essas sanções têm o potencial de remodelar a economia mundial, trazendo as cadeias globais de fornecedores para dentro dos países ou para mais próximo de cada uma das regiões”, acrescentou a ex-presidente.
Dilma disse ainda que o Brasil é vítima de uma aliança entre neoliberalismo e neofascismo – que foi construída para executar o golpe de estado no Brasil. “A política neoliberal, junto com o neofascismo, constituem os grandes responsáveis pela catástrofe humanitária hoje existente no Brasil”, afirmou Dilma. “O neoliberalismo não tem o chip da moderação, e está aliado ao autoritarismo. A derrota nas urnas e a defesa da ditadura militar colocam sempre no horizonte de Bolsonaro o questionamento do resultado das eleições e a busca por uma intervenção militar em último caso”, afirmou.


