Doria vai distribuir granulado junto com a merenda em escolas

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O prefeito João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (18) que o granulado feito a partir de alimentos próximo do vencimento para acabar com a fome e o desperdício de comida na cidade será distribuído nas escolas municipais de São Paulo junto às refeições dos estudantes. O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva na sede da Cúria Metropolitana ao lado do arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer.

A ideia é que o granulado, também chamado de “farinatta”, seja servido junto com a comida dos alunos. A Prefeitura de São Paulo diz que o granulado é um “suplemento alimentar” e mantém as propriedades nutricionais dos alimentos, prorrogando a vida útil em até dois anos.

Na coletiva não foi explicado como o granulado vai chegar do produtor até a rede municipal de ensino. Também deverá ser distribuído nos centros de acolhimentos a moradores de rua. Segundo Doria, as empresas vão gastar menos para incinerar alimentos que iriam vencer do que vão gastar no processo de transformação dos alimentos em granulado.

No último dia 8, quando anunciou o plano, Doria apresentou o granulado como um “alimento completo”, e chegou a dizer que uma xícara dele seria “suficiente para alimentar uma criança por um dia e três xícaras alimentam um adulto”. Conforme afirmou na oportunidade, o produto passaria a ser distribuído à população já a partir deste mês. Nesta quarta-feira, Doria reafirmou que a distribuição começa ainda em outubro.

O granulado é feito com processo de liofilização. O SP1 foi à USP para ver como é feito o processo. A água que existe em frutas e verduras, por exemplo, é toda retirada. A fruta é congelada em um congelador especial e depois vai para o liofilizador. Fica na máquina 16 horas e sai desidratada. A pesquisadora explica que esse processo mantém todos os nutrientes, mas é bem caro.
“Ele é caro e também demora muito para ser produzido”, diz Carmen Cecília Tardini, professora da USP.

A produção do alimento apresentado pelo prefeito seria feita pela plataforma sinergia, uma organização não governamental que tem a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) entre os parceiros.

A responsável pela plataforma diz que o alimento seria produzido por grandes indústrias. E que a maneira de produzir é que seria fornecida pela plataforma. Ela também diz que essa é uma maneira de evitar o desperdício. “A indústria que está produzindo o alimento pode mesmo fazer com a nossa tecnologia levada em uma carreta ou com alguma tecnologia que tenha lá. E vai custar muito menos para ela”, diz Rosana Perroti, fundadora da plataforma Sinergia.
O arcebispo de São Paulo defende o alimento. “Espero que não se politize a questão porque quem acaba prejudicado é o pobre, é o faminto”, disse Dom Odilo.

 (Foto: Marivaldo Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo)

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