O presidente da CPI da Petrobras, o deputado federal paraibano Hugo Motta (PMDB), disse na noite desta terça-feira (20) que a comissão, que deve ser encerrada nesta semana, não “acabará em pizza”. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Arapuan FM. De acordo com Hugo, o relator do colegiado, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), acatou pedidos dos sub-relatores, e temendo a não aprovação do relatório, deverá indicar abertura de inquéritos e punições a pessoas e empresas envolvidas nas denúncias de esquema de corrupção na Estatal. O relatório final deve ser votado só na próxima quinta-feira (22).
Na oportunidade, Hugo Motta lamentou os ataques de parlamentares e da imprensa ao trabalho da CPI, principalmente, por não ter ouvido os políticos suspeitos de terem se beneficiado do esquema de corrupção na estatal, e por não ter avançado além das investigações da Operação Lava Jato.
No total, entre investigados e testemunhas, a CPI ouviu 132 pessoas, mas a maior parte delas já havia sido ouvida pela força-tarefa da Lava Jato e várias acabaram ficando em silêncio, amparadas por habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que haviam feito delação premiada e poderiam comprometer a investigação além do que já tinha sido divulgado.
“A CPI autorizou várias quebras de sigilo, diligências externas, inclusive, indo duas vezes a Curitiba para pegar depoimentos de pessoas presas por lá; a Comissão também foi a Londres pegar o depoimento de um representante de uma empresa, da SBM Off Shore, envolvida nesse escândalo, e como toda CPI teve seu termino com a apresentação de um relatório. Mas, o presidente não se envolve na relatoria”, disse.
Hugo Motta afirmou que defendeu que esse relatório contenha pedidos de indiciamento e de punição de pessoas envolvidas. “Elas precisam responder na Justiça. defendo também que não só a Petrobras, mas demais empresas públicas não estejam tão vulneráveis a processos de corrupção, a exemplo da realização de contratação por dispensa de licitação. É preciso encontrar uma forma para que esse dispositivo não venha mais a acontecer, pois, ele foi a porta aberta para a corrupção se instalar”, comentou,
O deputado ainda lamentou a falta de instrumentos disponíveis para o colegiado realizar a investigação. Segundo ele, a CPI, por ser muito mais cobrada do que os outros órgãos investigativos, é inversamente proporcional aos instrumentos que ela tem para avançar da maneira que o Ministério Público, a Justiça Federal e a Polícia Federal têm para fazer uma investigação.
“Realizamos tudo aquilo que estava ao nosso alcance. […] Temos maturidade política suficientes para dizer que “a CPI não terminará em pizza, pela movimentação que eu vi de ontem a noite a punição as pessoas irão acontecer, o pedido de punição as empresas, e que essas pessoas respondam na Justiça, espero que isso passe por maioria de votos”, concluiu.

