A entrevista de Flávio Bolsonaro à Globo, conduzida por Renata Lo Prete, foi uma demonstração eloquente de uma das principais marcas do bolsonarismo: a incapacidade de enfrentar questionamentos objetivos sem recorrer à velha e desgastada ladainha do “E o Lula? E o PT?”
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Questionado sobre os temas que envolvem sua candidatura, Flávio Bolsonaro parecia recorrer a um roteiro previamente ensaiado: em vez de responder, desviava o assunto; em vez de apresentar propostas, atacava os adversários; em vez de explicar como pretende governar o Brasil, tentava transformar Lula e o PT em resposta para tudo.
Mas governar um país não é disputar uma interminável sessão de acusações. Não basta repetir slogans, alimentar ressentimentos e apontar o dedo para os adversários. O Brasil é muito maior do que as obsessões políticas do bolsonarismo e seus discursos de confronto permanente.
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A entrevista deixou uma questão incontornável para os eleitores: onde estão as propostas concretas, as respostas consistentes e a visão de país que Flávio Bolsonaro pretende apresentar aos brasileiros? Uma candidatura à Presidência exige muito mais do que um sobrenome conhecido, uma retórica de campanha e a repetição automática dos velhos chavões da polarização.
Para quem ainda tinha dúvidas, o desempenho do candidato ofereceu novos elementos para avaliar sua capacidade de argumentação, o domínio dos assuntos nacionais e a consistência de seu projeto político. A comparação com Lula, atual presidente da República, torna inevitável o debate sobre experiência, trajetória, propostas e capacidade de conduzir o país, questões que não podem ser respondidas com ataques ao adversário.
O problema do bolsonarismo é insistir em tratar a política como uma guerra permanente contra Lula e o PT, como se a simples demonização dos adversários pudesse substituir um projeto nacional. O Brasil não precisa de mais gritos, mais ressentimento ou mais cortinas de fumaça. Precisa de respostas, responsabilidade e compromisso com os problemas reais da população.
Por isso, diante da eleição do dia 25, o eleitor precisa olhar para além dos slogans e avaliar com seriedade o que cada candidatura oferece ao país. A Presidência da República não é lugar para improvisações, respostas evasivas ou discursos prontos: é uma responsabilidade que exige preparo, propostas e compromisso público.
No fim das contas, a pergunta que fica para Flávio Bolsonaro é simples: se, diante de uma pergunta, a resposta é sempre “E o Lula? E o PT?”, o que, afinal, ele tem a dizer sobre o Brasil?
