Diante do turbilhão de acusações que atinge a campanha do candidato do PL, e sem conseguir responder satisfatoriamente a todas elas, seus apoiadores recorrem a uma velha estratégia: tirar uma frase de contexto, deformar seu significado e transformá-la em munição para um ataque político.
Foi o que fizeram com uma declaração de Lula durante um comício em Belém. Uma frase foi recortada e passou a circular como se o presidente estivesse estimulando ou fazendo apologia à pedofilia. Basta, porém, ouvir a manifestação completa para perceber que o assunto era outro: a importância dos cuidados com a saúde, tanto das mulheres quanto dos homens.
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Lula fazia uma comparação entre a resistência que muitos homens ainda demonstram em relação aos exames da próstata e a naturalidade com que as mulheres enfrentam, desde jovens, exames ginecológicos necessários para a prevenção e o cuidado com a saúde.
Pode-se discutir a forma da comparação, mas não é aceitável apagar o contexto e atribuir à fala um sentido que ela não possui. A descontextualização transforma uma discussão sobre saúde em uma acusação gravíssima e, ao mesmo tempo, tenta deslocar o debate dos assuntos que efetivamente estão no centro da campanha do candidato do PL.
É a velha fórmula diversionista: quando não conseguem responder aos fatos, mudam o assunto; quando não conseguem enfrentar o debate, fabricam a polêmica. Mas esta eleição exige mais do que indignação produzida por vídeos recortados. Exige memória, atenção e responsabilidade.
No dia 4 de outubro, o eleitor não deve votar no que lhe apresentam em um corte de poucos segundos, mas naquilo que cada candidato realmente representa, defende e fez pelo Brasil.