A eleição de 2026 acontece em um ambiente muito mais complexo. Inteligência artificial, vídeos sintéticos, algoritmos de recomendação e sistemas automatizados já fazem parte da rotina de milhões de brasileiros. Por isso, precisamos evitar o erro de tratar toda IA como ameaça. A tecnologia pode melhorar a comunicação, ampliar o acesso à informação e criar novas formas de participação. O risco começa quando ela é utilizada para fabricar vozes, imagens, situações ou contextos capazes de induzir o cidadão ao erro. “O problema não é a inteligência artificial. O problema é usar a inteligência artificial para substituir a realidade por uma versão artificial dela.”
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Também não basta analisar quem produziu um conteúdo ou onde ele nasceu. No digital, uma mensagem pode começar pequena e, em poucas horas, alcançar milhões de pessoas por meio de compartilhamentos, comunidades e sistemas de recomendação. Por isso, alcance, velocidade, replicação e circulação algorítmica precisam fazer parte da análise. Hoje, não basta saber quem falou: precisamos entender quem recebeu a mensagem, como ela ganhou escala e qual percepção tentou construir. Um conteúdo não precisa convencer milhões de pessoas para produzir dano; ele pode plantar dúvidas, reforçar preconceitos ou fabricar uma sensação de maioria. “No digital, a origem explica a intenção. A circulação revela o impacto.”
Existe ainda um ponto fundamental: a educação midiática. Nenhuma legislação, plataforma ou sistema de fiscalização conseguirá impedir que todo conteúdo enganoso chegue ao cidadão. Precisamos também ensinar as pessoas a verificar fontes, compreender contextos, reconhecer manipulações e questionar aquilo que recebem nas redes. Quanto mais sofisticada ficar a inteligência artificial, mais difícil será distinguir o real do artificial apenas pelos olhos e ouvidos. “Combater a desinformação não é apenas retirar conteúdo falso. É aumentar a capacidade crítica de quem recebe a informação.”
A resposta precisa combinar regras claras, transparência, tecnologia, ciência de dados e educação. Não precisamos combater a inovação; precisamos combater a fraude e a manipulação deliberada. “Uma democracia tecnologicamente madura não combate a inteligência artificial. Combate o uso da tecnologia para enganar.” E sempre volto a uma frase: audiência não é voto, é atenção. Mas a atenção é o primeiro ativo disputado por qualquer narrativa política. No Brasil hiperconectado, proteger a eleição também significa proteger a capacidade do cidadão de compreender aquilo que chega à sua tela. Porque o maior risco não está apenas em uma imagem falsa parecer verdadeira, mas em uma percepção fabricada passar a ser aceita como realidade.

