Filipe Andson: A IA saiu do laboratório e entrou na operação

O varejo parou de discutir o futuro. Agora, a discussão é sobre execução. Essa talvez tenha sido a principal mensagem do VTEX Day 2026. Ao longo dos dois dias de evento, ficou evidente que a Inteligência Artificial, os dados, a automação e o comportamento digital do consumidor já deixaram de ser tendência. Tudo isso já chegou. O novo desafio das empresas não é mais descobrir o que fazer. É conseguir operar de forma integrada, eficiente e consistente.

E isso muda completamente o jogo para os negócios nordestinos. Durante muitos anos, inovação parecia algo distante da realidade de boa parte das empresas da Paraíba e do Nordeste, como se fosse uma pauta restrita às gigantes da tecnologia e aos grandes centros econômicos do país. Mas o cenário atual começa a mostrar exatamente o contrário. Talvez o Nordeste esteja mais preparado culturalmente para essa nova fase do varejo do que imagina.

Um dos temas mais fortes do evento foi o crescimento do comércio conversacional. O consumidor está deixando de comprar clicando para comprar conversando. O WhatsApp deixou de ser apenas uma ferramenta de atendimento e passou a funcionar como canal de venda, relacionamento, retenção e conversão. E existe algo extremamente importante nisso: o Nordeste sempre vendeu através da conversa. A proximidade, o atendimento mais humano, a confiança construída no relacionamento e a força da indicação fazem parte da cultura comercial nordestina há décadas. O que antes parecia informal agora se aproxima da principal tendência global do varejo digital.

O problema é que muitos negócios da região ainda operam de forma fragmentada. O marketing não conversa com o estoque. O WhatsApp não conversa com o CRM. O e-commerce não conversa com a logística. Os dados ficam espalhados e a operação perde eficiência. No VTEX Day 2026, ficou muito claro que a nova vantagem competitiva não está mais apenas na inovação, mas na integração. Empresas que conseguem conectar operação, dados, mídia, atendimento, logística e experiência do cliente passam a ganhar velocidade, escala e eficiência. Quem não consegue integrar apenas acelera os próprios gargalos.

A Inteligência Artificial também entrou definitivamente em uma nova fase. Ela deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para virar operação. Hoje, agentes de IA já conseguem monitorar concorrentes, ajustar campanhas, organizar catálogos, atender clientes e até concluir vendas sem intervenção humana. Mas o ponto mais importante talvez seja outro: não basta usar IA. Isso já virou básico. A diferença agora está na capacidade de organizar dados, estruturar processos e criar operações inteligentes. E isso abre uma oportunidade enorme para empresas nordestinas, porque tecnologia já não é mais exclusividade de grandes corporações. Pequenos e médios negócios agora têm acesso às mesmas ferramentas. O que muda é a capacidade de execução.

Enquanto alguns ainda enxergam o WhatsApp apenas como atendimento, outros já transformaram a plataforma em um verdadeiro shopping center digital. Enquanto algumas empresas produzem conteúdo apenas para gerar engajamento, outras já convertem conteúdo em vendas dentro da própria conversa. O consumidor mudou rapidamente. Ele já não quer percorrer jornadas longas e cheias de etapas. Quer praticidade, contexto, velocidade e personalização. Muitas vezes, a compra acontece no mesmo ambiente onde ele descobre o produto. Por isso, conteúdo deixou de ser apenas marketing. Agora, também é canal de venda.

Outro ponto importante do evento foi a defesa do conceito de “Brazilian Engineering”, liderado pela VTEX. A proposta é clara: o Brasil não precisa ser apenas consumidor de tecnologia. Pode ser produtor, criador e exportador de soluções para o mundo. E talvez exista aqui uma reflexão importante para o Nordeste. Durante muito tempo, a região foi vista apenas como mercado consumidor. Mas o avanço da tecnologia, da Inteligência Artificial e da economia digital cria uma oportunidade inédita para que empresas nordestinas também se tornem referência em criatividade, engenharia, comunicação e inovação operacional.

Na conversa entre John Mackey e Mariano Gomide, uma mensagem ficou clara: crescimento sem consistência destrói marcas. Propósito, cultura e clareza operacional não são mais discursos institucionais. São vantagens competitivas. Empresas que não sabem exatamente quem são terão dificuldade para crescer de forma sustentável na nova economia digital.

O futuro do varejo será cada vez mais integrado, automatizado, conversacional e invisível. Mas isso não significa um futuro menos humano. Pelo contrário. As empresas que vencerão serão justamente aquelas que conseguirem usar tecnologia para fortalecer relacionamento, experiência e confiança. E talvez essa seja a maior oportunidade do Nordeste. Porque a tecnologia pode ser comprada. Mas proximidade, relacionamento e capacidade de gerar confiança ainda continuam sendo diferenciais humanos.

O futuro não será dominado apenas pelas maiores empresas. Será dominado pelas empresas que conseguirem executar melhor.


Filipe Andson
Gestor e mentor com vasta experiência na transformação dos negócios por meio da Gestão e Liderança. Há 16 anos, faz parte do board diretivo de uma grande empresa varejista brasileira, atualmente como CDO do grupo, avaliador do Prêmio Ser Humano da ABRH e Partner do PMI como Vice-Presidente de Planejamento e Governança. Criador do Framework Gestão Alto Impacto e escritor de livros sobre gestão e uso de Inteligência Artificial para gestores.

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